Interrogarmo-nos sobre quais os elementos da moralidade não significa elaborar uma lista completa de todas as suas virtudes, nem sequer das mais importantes; significa procurarmos as disposições fundamentais, os estados de espírito que constituem a raiz da vida moral. (...) Os moralistas partem do princípio que cada um de nós trás tudo o que à moral é essencial. (...) Tudo quanto o moralista pode afirmar, após se haver interrogado, é a maneira segundo a qual ele concebe a moral, é a ideia que dela faz pessoalmente. Mas, por que motivo, a ideia que ele faz dela seria mais objectiva do que a ideia objectiva que o vulgo tem acerca do calor, da luz ou da electricidade? Admitamos que a moral reside integralmente imanente em cada consciência. Falta ainda descobri-la. Falta ainda descobrir, dentre todas as ideias que em nós se encerram, quais as que são de competência moral e quais as que não o são (Durkheim, 2001. p. 94-95).
Há uma característica comum a todas as acções que vulgarmente denominamos morais: é agirmos de conformidade com regras preestabelecidas. Comportarmo-nos moralmente, é agirmos em determinado caso, antes mesmo de termos sido solicitados a tomar uma resolução. O domínio da moral é domínio do dever, e o dever é uma acção prescrita (Durkheim, 2001, p. 96).
As sensações, as apetências físicas, limitam-se a exprimir o estado do corpo, não as ideias puras e os sentimentos complexos. Sobre essas forças eminentemente espirituais, só um poder, igualmente espiritual, será capaz de actuar. Esse poder espiritual é a autoridade, inerente às regras morais.
Graças a esta autoridade, as regras morais são autênticas forças contra as quais vêm embater os nossos desejos, as nossas carências, as nossas apetências de toda a ordem. (...) Essas forças têm em si tudo o que é preciso para obrigar a vergar as vontades, a constrangê-las, a sustê-las, a incliná-las neste ou naquele sentido. Logo, podemos afirmar, sem recorrermos a uma metáfora, que elas são “forças”. (...) Quando o homem, sensatamente constituído, procura cometer algum acto que ofende a moral, sente qualquer coisa que o detém (Durkheim, 2001, p. 112).
Os fins pessoais, em si mesmos, são de duas espécies: (1) ou procuramos, pura e simplesmente, manter-nos vivos, conservarmos o nosso ser, colocá-lo ao abrigo de causas destruidoras que o ameaçam; ou (2) procuramos engrandecê-lo e desenvolvê-lo.
Ponto (1). Os actos que praticamos com a única e simples finalidade de mantermos a nossa existência, podem, seguramente, não ser de forma alguma reprováveis; mas é incontestável que, aos olhos da consciência pública, eles se apresentam, como sempre se apresentaram, despidos de qualquer valor moral. São moralmente neutros. Nós não dizemos que alguém se comporta moralmente quando cuida de si, quando pratica uma higiene sã, e isso com a finalidade de viver. Achamos o seu comportamento avisado, prudente, mas não consideramos aplicar-lhe qualquer qualificação moral. Nada existe de moral em viver por viver.
Ponto (2). Outro tanto não acontece, quando velamos pela nossa vida, não somente para nos conservarmos a nós mesmos, mas para podermos conservar-nos para a nossa família, visto sentirmos que lhe somos necessários. Então, o nosso acto é unanimemente considerado moral. A moralidade do acto reside na subordinação do indivíduo aos interesses da sociedade. (Durkheim, 2001, p. 124-125)
Se uma moral existe, ela deve necessariamente ligar o homem a objectivos que ultrapassem o âmbito dos interesses individuais. (...) Só a sociedade pode servir de objectivo à actividade moral (...) a sociedade é necessariamente útil ao indivíduo, devido aos serviços que lhe presta, e que, por tal motivo, ele deve querê-la já que nisso tem interesse. (...) O homem expõe-se tanto mais ao suicídio, quanto mais desligado estiver de qualquer colectividade. (...) Assim, o suicídio é cerca de três vezes mais frequente nos solteiros do que nos casados, duas vezes mais frequente nos estéreis que nos fecundos, aumentando inclusivamente na razão inversa do número de filhos (Durkheim, 2001, p. 132-134).
Família, pátria e humanidade. (...) O homem só será moralmente completo, quando submetido a esta tripla acção. Estes três grupos podem e devem coexistir em concorrência, mas existe uma hierarquia (Durkheim, 2001, p. 139).
“Não matarás!”, “não roubarás!”: estas máximas que os homens transmitem uns aos outros, de geração em de geração e através dos séculos, não possuem obviamente, em si mesmas, qualquer virtude mágica que as imponha ao respeito. Mas, sob máxima, existem sentimentos colectivos, estados de opinião de que ela é tão somente a expressão e que constituem a sua eficácia (Durkheim, 2001, p. 155).
Os animais não se encontram sujeitos a um sistema de sanções artificiais; eles formam-se pela acção dos acontecimentos, e outras lições não recebem que não seja a da sua experiência. Enquanto viva a sua existência “animal”, a criança não precisa de disciplina. Submetê-la a uma acção coerciva, seria violar a ordem da natureza (Durkheim, 2001, p. 219).
O critério que serve para os homens, em última análise, julgarem a sua conduta, é a felicidade ou infelicidade que essa mesma conduta produz. (...) Estamos muito mais seguros de nos conduzirmos convenientemente na vida, quando compreendemos as boas e más consequências da nossa acção, do que quando nos limitamos a acreditar na autoridade dos outros (Durkheim, 2001, p. 220).
Uma criança que comeu demais, tem uma indigestão. Aprende com o sofrimento. Um adulto que não pagou os impostos, tem uma insónia se for moralmente bem formado, porque a sua atitude prejudica a sociedade. O universo é uno. A actividade moral tem por objecto entidades indubitavelmente superiores ao indivíduo, mas empíricas, do mesmo modo que os minerais e os seres vivos: as sociedades. Cada sociedade transmite às suas crianças um sistema de regras de moral, exteriores à consciência dos indivíduos. Os valores sociais são concepções gerais – princípios, crenças e conhecimentos colectivos – que mantêm a coesão social na medida em que são compartilhados por todos os elementos do grupo ou sociedade. Os valores comuns dão origem a sentimentos de solidariedade e unidade entre as pessoas, diminuindo os conflitos. A adesão a valores comuns é condição de participação em grupos e na sociedade (Silvestre & Moinhos, 2001, p. 114).
Na perspectiva de Durkheim será fácil convencer o homem são a aderir aos valores sociais recordando-lhe os serviços que a sociedade lhe presta, designadamente porque não conseguiria viver à margem de qualquer contacto humano.
NOTA:
Este post destina-se a ser utilizado como recurso no tema "Família".
15/04/2012
Família
Para Weber o tipo mais puro de dominação é o patriarcal. “Obedece-se à pessoa por força da sua dignidade própria, santificada pela tradição: por piedade. O conteúdo das ordens é vinculado pela tradição. (...) Criar um novo direito em face das normas tradicionais surge, em princípio, como impossível” (Weber, 2005, p. 22).
Para Durkheim ”a moral tem como função impedir o indivíduo de enveredar por domínios que lhe estão interditos, constituindo um vasto sistema de proibições (...) Basta que as regras da moral conjugal percam algo da sua autoridade, que os deveres a que os esposos se encontram obrigados reciprocamente sejam menos respeitados, basta isto, para que as paixões, as apetências que esta parte da moral encerra e regulamenta, se desencadeiem, se exasperem devido a esse desregramento; então, impotentes para se acalmarem, já que isentas de todos os limites, elas determinarão um desencanto que se traduzirá de forma evidente, na estatística dos suicídios” (Durkheim, 2001, p. 113).
Dizei-me o que é o casamento, o que é a moral doméstica num povo, e dir-vos-ei quais são os traços principais da sua Constituição. A ideia de que os Romanos teriam podido praticar uma moral diferente da sua é um verdadeiro absurdo histórico. Se por milagre fosse implantado entre os romanos o sistema de valores do mundo ocidental actual [Durkheim faleceu em 1917], imediatamente o Império Romano ruiria. Com uma moral diferente da sua a sociedade romana não teria conseguido viver. Cada tipo social tem a moral que lhe é necessária, do mesmo modo que cada tipo biológico tem o sistema nervoso que lhe permite manter-se. É a sociedade quem nos prescreve, inclusivamente os deveres para com nós mesmos (ibidem, p. 151).
Não consta que a criança receba hereditariamente predisposições morais determinadas. Essa iniciação deve começar na família e desde o berço. Na criança cria-se um princípio de educação moral, pelo simples facto de a obrigarem de imediato a contrair hábitos regulares (...) desde que tenha uma vida doméstica regular, a criança contrairá mais facilmente o gosto pela regularidade: mais genericamente, se ela for educada numa família moralmente sã, participará, pelo contágio do exemplo, dessa saúde moral (ibidem, p. 201).
Que diria Durkheim se pudesse observar a sociedade do séc. XXI? Vemos cinema para nos divertirmos, como muito bem evidencia a cena final de American Pie, não para nos transmitirem as “preocupações oficiais com a moralidade”, que se terão perdido muito antes de 1960, num país sem dimensão para se afirmar no Mundo, mas com uma ditadura teimosa para ter sido o último Império a descolonizar. Continuamos a análise recorrendo ao trabalho que o sociólogo contemporâneo Claude Dubar, apresenta em “A Crise das Identidades”.
Durkheim constatou que a família protegia os indivíduos do suicídio (...) Durkheim bateu-se contra a legalização do divórcio em França, em 1884, argumentando que a família moderna se encontra ameaçada pela anomia. Ela já não pode ser a única, nem sequer a principal, instância de socialização das crianças, processo decisivo para a sobrevivência das sociedades. É essa a razão pela qual Durkheim aposta na escola que, em França, acaba por se tornar pública e obrigatória (1882) para socializar as crianças da República (Dubar, 2006, p. 66).
As famílias recompostas são particularmente geradoras de anomia (ausência de normas). Por exemplo, como irá o filho chamar o novo marido da sua mãe? Pai não deverá chamar para evitar o risco de confusão com o seu pai biológico. Entretanto o seu padrasto poderá ser pai de "meios-irmãos" ou "quase-irmãos", que também podem ser filhos daquela mãe ou não. As situações de anomia desautorizam os pais.
Passada a fase do amor apaixonado, as rotinas da vida em comum são ocasiões de fricções, de recuos e de mal-entendidos. Enquanto o marido pensa: “Eu pensava que ela gostava disto” (fazer toda a lida da casa), a mulher diz de si própria: “Eu pensava que ele estava a ser sincero” (partilha de tarefas). A crise instala-se. (...) Existem estratégias para evitar ou resolver esta crise, desde a não coabitação até à adesão efectiva e prática do homem a este processo de emancipação, em nome da manutenção do sentimento amoroso e da identidade nova.
Segundo Roussel, “a armadilha induzida pelo casamento”, e o estabelecimento, com a chegada do filho, da família conjugal, implica “a passagem de um sentimento amoroso partilhado a uma história comum, duma paixão recíproca a um empreendimento concertado”. (...) E acrescenta cruelmente: “eles tornam-se um casal morto com uma vida conjugal vazia” (Dubar, 2006, p. 77-78).
Hoje assistimos a uma pluralidade de modos de vida, de concepções, de configurações, isto é, de combinações inéditas de formas identitárias. Não só não se sabe muito bem o quer dizer ser pai, mãe, marido, esposa, padrasto, madrasta... (poderia ser acrescentado as avós e os avôs, cujos papéis evoluem), não se sabe muito bem qual é a norma (casar-se ou não, dissociar ou não o sentimento apaixonado e os papéis de pais, ser ou não pai e mãe com os enteados….), como também já não tem a certeza de saber no fundo o que é masculino e o que é feminino… (…) Ser homem ou mulher está a começar a tornar-se uma questão de história, de projecto, de percurso biográfico, de “construção identitária ao longo da vida” (Dubar, 2006, p. 84).
Empregadores múltiplos e inconstantes, e novas modalidades de interacção social também contribuem para uma maior diversidade dos laços sociais nas famílias modernas. Poderemos ser conduzidos a imaginar que um “laço da familiar forte” associado à família tradicional não seria tão frágil quanto a “rede” que podemos hoje construir mas trata-se de uma mera representação social. Actualmente, dificilmente alguém se sentiria atraído pela “robustez” do “laço da familiar forte”, porque teria de abdicar em muito da própria realização pessoal, marcadamente individualista.
Num post com 1000 palavras, pretende-se que tenha em consideração os seguintes objectivos:
- Referir alguns indicadores demográficos da vida familiar (nupcialidade, divórcio, coabitação, fecundidade,...)
- Distinguir tipos de famílias (nuclear – com ou sem vínculos matrimoniais - , monoparentais, recompostas)
- Dar exemplos de novos tipos de família
- Explicar transformações que estão associadas à vida familiar na sociedade contemporânea (designadamente, a simetria de contributos na participação entre homens e mulheres, democratização das relações, dissociação entre sexualidade e reprodução e novos papéis parentais)
- Referir o papel da família na socialização
- Constatar situações de violência no interior da família
Recursos
Para Durkheim ”a moral tem como função impedir o indivíduo de enveredar por domínios que lhe estão interditos, constituindo um vasto sistema de proibições (...) Basta que as regras da moral conjugal percam algo da sua autoridade, que os deveres a que os esposos se encontram obrigados reciprocamente sejam menos respeitados, basta isto, para que as paixões, as apetências que esta parte da moral encerra e regulamenta, se desencadeiem, se exasperem devido a esse desregramento; então, impotentes para se acalmarem, já que isentas de todos os limites, elas determinarão um desencanto que se traduzirá de forma evidente, na estatística dos suicídios” (Durkheim, 2001, p. 113).
Dizei-me o que é o casamento, o que é a moral doméstica num povo, e dir-vos-ei quais são os traços principais da sua Constituição. A ideia de que os Romanos teriam podido praticar uma moral diferente da sua é um verdadeiro absurdo histórico. Se por milagre fosse implantado entre os romanos o sistema de valores do mundo ocidental actual [Durkheim faleceu em 1917], imediatamente o Império Romano ruiria. Com uma moral diferente da sua a sociedade romana não teria conseguido viver. Cada tipo social tem a moral que lhe é necessária, do mesmo modo que cada tipo biológico tem o sistema nervoso que lhe permite manter-se. É a sociedade quem nos prescreve, inclusivamente os deveres para com nós mesmos (ibidem, p. 151).
Não consta que a criança receba hereditariamente predisposições morais determinadas. Essa iniciação deve começar na família e desde o berço. Na criança cria-se um princípio de educação moral, pelo simples facto de a obrigarem de imediato a contrair hábitos regulares (...) desde que tenha uma vida doméstica regular, a criança contrairá mais facilmente o gosto pela regularidade: mais genericamente, se ela for educada numa família moralmente sã, participará, pelo contágio do exemplo, dessa saúde moral (ibidem, p. 201).
Que diria Durkheim se pudesse observar a sociedade do séc. XXI? Vemos cinema para nos divertirmos, como muito bem evidencia a cena final de American Pie, não para nos transmitirem as “preocupações oficiais com a moralidade”, que se terão perdido muito antes de 1960, num país sem dimensão para se afirmar no Mundo, mas com uma ditadura teimosa para ter sido o último Império a descolonizar. Continuamos a análise recorrendo ao trabalho que o sociólogo contemporâneo Claude Dubar, apresenta em “A Crise das Identidades”.
Durkheim constatou que a família protegia os indivíduos do suicídio (...) Durkheim bateu-se contra a legalização do divórcio em França, em 1884, argumentando que a família moderna se encontra ameaçada pela anomia. Ela já não pode ser a única, nem sequer a principal, instância de socialização das crianças, processo decisivo para a sobrevivência das sociedades. É essa a razão pela qual Durkheim aposta na escola que, em França, acaba por se tornar pública e obrigatória (1882) para socializar as crianças da República (Dubar, 2006, p. 66).
As famílias recompostas são particularmente geradoras de anomia (ausência de normas). Por exemplo, como irá o filho chamar o novo marido da sua mãe? Pai não deverá chamar para evitar o risco de confusão com o seu pai biológico. Entretanto o seu padrasto poderá ser pai de "meios-irmãos" ou "quase-irmãos", que também podem ser filhos daquela mãe ou não. As situações de anomia desautorizam os pais.
Passada a fase do amor apaixonado, as rotinas da vida em comum são ocasiões de fricções, de recuos e de mal-entendidos. Enquanto o marido pensa: “Eu pensava que ela gostava disto” (fazer toda a lida da casa), a mulher diz de si própria: “Eu pensava que ele estava a ser sincero” (partilha de tarefas). A crise instala-se. (...) Existem estratégias para evitar ou resolver esta crise, desde a não coabitação até à adesão efectiva e prática do homem a este processo de emancipação, em nome da manutenção do sentimento amoroso e da identidade nova.
Segundo Roussel, “a armadilha induzida pelo casamento”, e o estabelecimento, com a chegada do filho, da família conjugal, implica “a passagem de um sentimento amoroso partilhado a uma história comum, duma paixão recíproca a um empreendimento concertado”. (...) E acrescenta cruelmente: “eles tornam-se um casal morto com uma vida conjugal vazia” (Dubar, 2006, p. 77-78).
Hoje assistimos a uma pluralidade de modos de vida, de concepções, de configurações, isto é, de combinações inéditas de formas identitárias. Não só não se sabe muito bem o quer dizer ser pai, mãe, marido, esposa, padrasto, madrasta... (poderia ser acrescentado as avós e os avôs, cujos papéis evoluem), não se sabe muito bem qual é a norma (casar-se ou não, dissociar ou não o sentimento apaixonado e os papéis de pais, ser ou não pai e mãe com os enteados….), como também já não tem a certeza de saber no fundo o que é masculino e o que é feminino… (…) Ser homem ou mulher está a começar a tornar-se uma questão de história, de projecto, de percurso biográfico, de “construção identitária ao longo da vida” (Dubar, 2006, p. 84).
Empregadores múltiplos e inconstantes, e novas modalidades de interacção social também contribuem para uma maior diversidade dos laços sociais nas famílias modernas. Poderemos ser conduzidos a imaginar que um “laço da familiar forte” associado à família tradicional não seria tão frágil quanto a “rede” que podemos hoje construir mas trata-se de uma mera representação social. Actualmente, dificilmente alguém se sentiria atraído pela “robustez” do “laço da familiar forte”, porque teria de abdicar em muito da própria realização pessoal, marcadamente individualista.
Num post com 1000 palavras, pretende-se que tenha em consideração os seguintes objectivos:
- Referir alguns indicadores demográficos da vida familiar (nupcialidade, divórcio, coabitação, fecundidade,...)
- Distinguir tipos de famílias (nuclear – com ou sem vínculos matrimoniais - , monoparentais, recompostas)
- Dar exemplos de novos tipos de família
- Explicar transformações que estão associadas à vida familiar na sociedade contemporânea (designadamente, a simetria de contributos na participação entre homens e mulheres, democratização das relações, dissociação entre sexualidade e reprodução e novos papéis parentais)
- Referir o papel da família na socialização
- Constatar situações de violência no interior da família
Recursos
- http://www.pordata.pt/
- Novos tipos de família
- Apresentação Famílias e Sociedades
- 19 mulheres por dia foram vítimas de violência doméstica
- Novos padrões e outros cenários para a fecundidade em Portugal
- Modernidade, laços conjugais e fecundidade: a evolução recente dos nascimentos fora do casamento
- Perspectivas dos jovens sobre a família e o casamento - notas críticas
- Artigos de Ana Nunes Almeida - Especialista em Sociologia da Família
- Moralidade e Valores Sociais na perspectiva de Durkheim
- O ícone do 25 de Abril assume bigamia (Filomena+Dina)
- Eu apenas desejo ver os filhos crescerem. (...) O único objectivo que tenho na vida é ser um bom pai
- Trabalho a tempo parcial prejudica as mulheres e não promove a natalidade
- Representações da mulher nos anos 50 e 60 - PPS a circular pela Internet
- Esquema - Família
- Recursos no Arquivo
11/04/2012
Mais Sugestões para Pesquisa Bibliográfica/Revisão da Literatura
Estamos no início do 2º período, e não precisamos de stresses. Fixa-se o limite mínimo de fichas de leitura em 5, mas naturalmente que leituras adicionais valorizam o trabalho. Cada ficha consiste numa página A4 que resume um artigo PDF, um capítulo ou uma secção de um livro, etc. Fixou-se este número imaginando que cada elemento do grupo fará pelo menos uma ficha de leitura. As fichas deverão ficar no Arquivo. Comprovam que foi procurada bibliografia e que existirá um conhecimento teórico mínimo, indispensável para a análise do objecto de estudo escolhido. Será com base nestes conceitos que irão fundamentar de entre todo o material recolhido, quais são as ideias consideradas importantes na Análise Temática.
Recorda-se que já foram indicadas páginas no livro Sociologia do Corpo, para cada grupo fazer uma ficha de leitura aqui, e outras sugestões no espaço do respectivo Grupo.
Outro recurso é o livro Sociologia, de Giddens, que se encontra na Biblioteca da Escola. Todos os grupos o podem utilizar para fazer uma ou mais fichas de leitura. Sugestões:
Amor Romântico: O amor no tempo do Facebook
Capitulo 7 – Família, Casamento e Vida Pessoal
O Culto do Corpo Moderno
Capitulo 6 – O Corpo: Alimentação, Doença e Envelhecimento
Racismo: O IMAGINÁRIO SOCIAL “MULHER BRASILEIRA” EM PORTUGAL
Capitulo 9 – Etnicidade e Raça
Capitulo 12 – Trabalho e Vida Económica
Trabalho, Família e Género
Capitulo 5 – Género e Sexualidade
Capitulo 7 – Família, Casamento e Vida Pessoal
Capitulo 12 – Trabalho e Vida Económica
Coloquei 3 capítulos para observaram que o conceito de "papel da mulher" não existe em Sociologia.
Recorda-se que já foram indicadas páginas no livro Sociologia do Corpo, para cada grupo fazer uma ficha de leitura aqui, e outras sugestões no espaço do respectivo Grupo.
Outro recurso é o livro Sociologia, de Giddens, que se encontra na Biblioteca da Escola. Todos os grupos o podem utilizar para fazer uma ou mais fichas de leitura. Sugestões:
Amor Romântico: O amor no tempo do Facebook
Capitulo 7 – Família, Casamento e Vida Pessoal
O Culto do Corpo Moderno
Capitulo 6 – O Corpo: Alimentação, Doença e Envelhecimento
Racismo: O IMAGINÁRIO SOCIAL “MULHER BRASILEIRA” EM PORTUGAL
Capitulo 9 – Etnicidade e Raça
Capitulo 12 – Trabalho e Vida Económica
Trabalho, Família e Género
Capitulo 5 – Género e Sexualidade
Capitulo 7 – Família, Casamento e Vida Pessoal
Capitulo 12 – Trabalho e Vida Económica
Coloquei 3 capítulos para observaram que o conceito de "papel da mulher" não existe em Sociologia.
06/04/2012
Classes sociais e mobilidade social
Analisando as respostas por segmento sociodemográfico por comparação com os valores do total, vemos que os homens apresentam maior afinidade com o Google +, as mulheres com o Netlog, os indivíduos de 35 a 44 anos com o LinkedIn e os indivíduos das classes [sociais] mais elevadas com o Flickr.
Fonte: Marktest
1. Apresenta a definição ACM de classe social.
2. Problematiza a definição ACM de classe social no caso particular de a nossa amostra ser constituída por estudantes.
3. Indica cinco diferentes critérios de estratificação social.
4. Problematiza a mobilidade social em diferentes sociedades.
Fonte: Marktest
- Estratificação
Utiliza-se uma amostra estratificada com um total de 160 estratos, já que os indivíduos que fazem parte da base de amostragem são classificados segundo as variáveis:
• Região (5): Norte; Centro; Lisboa; Alentejo; Algarve
• Género (2): Feminino; Masculino
• Classes Etárias (4): 16 – 29 anos; 30 – 49 anos; 50 – 64 anos; 65 e mais anos
• Intervalos de rendimento (euros/ano) equivalente do Agregado Doméstico Privado (ADP), definidos pelos quartis dessa variável determinados para o Continente (4):
1: R ≤ € 5 133,85
2: € 5 133,85 < R ≤ € 7 470,00
3: € 7 470,00 < R ≤ € 11 222,88
4: R > € 11 222,88
Fonte: Documento Metodológico do INE
NOTA: 5 x 2 x 4 x 4 = 160
1. Apresenta a definição ACM de classe social.
2. Problematiza a definição ACM de classe social no caso particular de a nossa amostra ser constituída por estudantes.
3. Indica cinco diferentes critérios de estratificação social.
4. Problematiza a mobilidade social em diferentes sociedades.
05/04/2012
Ambiente – riscos e incertezas
- Os cientistas da NASA desenvolveram um novo modelo climático que indica que [na América do Norte] as tempestades serão mais violentas e severas, e os tornados podem tornar-se mais comuns enquanto o clima da Terra aquece.
http://www.nasa.gov/centers/goddard/news/topstory/2007/moist_convection.html
Clicar em CC/Transcrever audio para ler as legendas em INGLÊS. Voltar a clicar em CC/Traduzir legendas ---- Português, para ler as legendas em PORTUGUÊS.
- A ocorrência de secas deve enquadrar-se em anomalias da circulação geral da atmosfera, a que correspondem flutuações do clima numa escala local ou regional. A situação geográfica do território de Portugal Continental é favorável à ocorrência de episódios de seca, quase sempre associados a situações meteorológicas de bloqueio em que anticiclone subtropical do Atlântico Norte se mantém numa posição que impede que as perturbações da frente polar atinjam a Península Ibérica.
http://www.meteo.pt/pt/oclima/observatoriosecas/
Nos últimos 10 anos a situação de seca mais grave que ocorreu foi no período de novembro 2004 a fevereiro de 2006. Na tabela 3 apresentam-se as percentagens de território afetado pela situação de seca meteorológica entre dezembro e 31 de março para 2011/12 e 2004/05, verificando-se em 2012 uma situação mais gravosa do que em 2005, em termos de seca meteorológica.
http://www.meteo.pt/bin/docs/tecnicos/Seca31MAR.pdf
As alterações climáticas afectam desigualmente os diferentes países do Mundo. Assim, as variações dos diversos indicadores (incluindo as vítimas) atingem maior magnitude nos países menos desenvolvidos.
http://hdr.undp.org/en/media/HDR_2011_EN_Presentation.pptx
Durante muitos anos, foi possível encontrar na comunidade científica defensores da tese dos ciclos de subida e descida das temperaturas na Terra. Hoje dispomos de séries tão longas, que tornam incontestável a tendência, observando-se o consenso quanto à acção do Homem sobre a natureza, entre os académicos, mas sem consequências ao nível das decisões do domínio político, económico e social.
http://www.ipcc.ch/graphics/2001syr/large/05.16.jpg
Já ninguém duvida dos danos irreversíveis do Planeta, vinculadas aos modos de vida das sociedades industrializadas, observando o aumento da temperatura na Terra.
http://en.wikipedia.org/wiki/Portal:Global_warming
Para problematizar este tema é útil considerar os eixos segurança versus perigo e confiança versus risco.
Numa situação de segurança uma pessoa reage ao desapontamento culpando os outros; numa situação de confiança deve arcar parcialmente com a culpa e pode arrepender-se de ter depositado confiança em alguém ou alguma coisa. A distinção entre confiança e segurança depende de a possibilidade de frustração ser ou não influenciada pelo próprio comportamento anterior de cada um, e portanto, da correlativa discriminação entre risco e perigo. (Giddens, 1992, p. 31).
Os problemas ambientais, a possibilidade de uma guerra nuclear, o terrorismo, as crises financeiras, as falhas nos sistemas periciais (*) caracterizam aquilo a que Ulrich Beck designou por sociedade de risco. A sociedade de risco significa que vivemos na idade dos efeitos secundários, isto é, habitamos um mundo fora de controlo, onde nada é certo além da incerteza. O desenvolvimento da ciência e da tecnologia permitiu o progresso económico das sociedades ocidentais; porém, o fruto desse desenvolvimento contribuiu para a emergência de novos riscos.
Segundo Luhmann (1993) a noção de risco depende mais do modo como é observado e não tanto das suas pressupostas características objectivas. O risco tornou-se numa variante que distingue entre aquilo que é desejado e indesejado. Para o autor o risco e o perigo estão ambos associados à ideia de potencial perda futura, no entanto a sua posição defende a distinção de ambos os conceitos. Segundo Luhmann (1993) podemos falar em perigo se as consequências ou prejuízos de um determinado acontecimento ocorrerem de forma independente da nossa vontade, ou seja, se a origem do evento provier de fontes externas. Pelo contrário, podemos falar em risco quando determinados acontecimentos tiverem origem em decisões próprias. O autor recorre aos seguintes exemplos: Quem fuma aceita o risco de morrer de cancro, embora para quem inala o fumo dos outros o cancro deve ser visto como um perigo. Alguém que assume o risco de morrer num acidente de viação, por decidir conduzir a alta velocidade, transforma esta situação num perigo para os outros automobilistas ou para os peões. Assim, a mesma acção pode ser um risco para uns e um perigo para outros.
http://www.aps.pt/vicongresso/pdfs/323.pdf
Salienta-se que entre os portugueses não existe o hábito de procurar informação sobre os riscos. Observa-se contudo que os mais literatos, os profissionais liberais, aqueles que têm rendimentos do seu trabalho mais elevados - o último escalão incluirá rendimentos do capital não negligenciáveis - são os que procuram mais frequentemente documentar-se.
Fonte: Os Portugueses e os Novos Riscos
Não procurar activamente informação é grave, porque a inacção é muitas vezes mais arriscada e há alguns riscos que nós temos que enfrentar, quer queiramos, quer não. Perigo e risco estão estreitamente relacionados, mas não são a mesma coisa. A diferença não depende de um indivíduo pesar ou não conscientemente as alternativas, ao considerar ou adoptar uma determinada linha de acção. O que o risco pressupõe é precisamente o perigo (não necessariamente a consciência do perigo). Uma pessoa que arrisca alguma coisa desafia o perigo, sendo este entendido como uma ameaça para os resultados desejados. Qualquer pessoa que assuma um “risco calculado” está consciente da(s) ameaça(s). (Giddens, 1992, p. 24).
Que nos importa isto?
Como poderemos considerar os riscos de uma catástrofe ecológica se os seus factores explicativos estão tão afastados do nosso controlo individual?
A MAIOR PARTE DE NÓS NÃO PODE.
Quem se preocupa com a possibilidade de uma catástrofe ecológica tende a ser considerado psiquicamente perturbado.
Embora não seja irracional que alguém estivesse permanentemente e conscientemente angustiado, esta forma de ver paralisaria a vida quotidiana normal. Numa reunião social este assunto é inconveniente.
Giddens descreve a catástrofe ambiental recorrendo à metáfora do Carro de Jagrená. (“Juggernaut” no original, refere-se a um mito religioso hindu, com origem na palavra “Jaggannath”, “senhor do Mundo”, que é um dos nomes de Krishna. Uma imagem desta divindade era levada todos os anos pelas ruas num enorme carro, sob o qual se lançavam, sendo esmagados pelas suas rodas).
O leigo - e todos nós somos leigos no que respeita à maioria dos sistemas periciais - tem de se deixar ir no Carro de Jagrená, que vai descendo o desfiladeiro sem qualquer controlo. A falta de controlo que muitos de nós sentimos no que toca a algumas circunstâncias das nossas vidas é real. Tudo pode desaparecer agora, a civilização, a história, a natureza. Que podemos fazer?
Giddens descreve quatro reacções adaptativas:
I) Aceitação pragmática – Muitos convivem bem com a catástrofe ecológica porque nem pensam nela, pois se pensassem seria aterrador
II) Optimismo persistente – Outros acreditam que podem ser encontradas soluções tecnológicas e sociais para os problemas
III) Pessimismo cínico – Podem-se encontrar pessoas oportunistas - o melhor é gozar o dia de hoje -, que vêem ali boa oportunidade de tirar proveito para si próprios
IV) Activismo radical – Atitude de contestação prática às fontes de perigo identificadas
Weber não explica a paralisação da acção social neste contexto, observando que os elos da racionalidade são cada vez mais apertados!!!
1. Refere as consequências ambientais da manutenção dos padrões de consumo.
2. Justifica de entre as reacções adaptativas referidas, qual a que te parece congruente com a luta preservação da Humanidade na Terra.
3. Problematiza a sociedade do risco e incerteza, tendo em consideração a diferente apetência dos grupos sociais pela informação.
4. Calcula a tua pegada ecológica e indica cinco aspectos que deverás mudar.
Recursos
- http://www.calculadoracarbono-cgd.com/ Sites alternativos para cálculo da pegada ecológica
- Em português: Pegada Ecológica / Escuteiros do CNE
- Em inglês: EcoGuru / WWF
- Dossier Alterações Climáticas
- O risco no âmbito da teoria social
- Infografia JNegócios: Como a Grécia pode sair do euro
- ESTUDO CIENTÍFICO DEMONSTRA QUE MILHO TRANSGÉNICO CAUSA TUMORES E MORTE
- #legionella
- 2052 – A Global Forecast for the next 40 years
(*) Sistemas periciais são sistemas de realização técnica, ou de pericialidade profissional, que organizam vastas áreas do ambiente material e social em que vivemos (Giddens, 1998, p. 19). Muitos leigos consultam "profissionais" - advogados, arquitectos, médicos, mecânicos, etc. - de forma periódica ou irregular. Isto é uma característica da modernidade.
Os riscos e as incertezas da sociedade actual/catástrofe ambiental decorrem da incapacidade dos "profissionais" para indicarem uma solução técnica.
04/04/2012
Consumo e estilos de vida
Na sociedade de consumo as opções de aquisição dos bens já não determinadas pela satisfação de necessidades básicas, mas principalmente pelo seu significado simbólico.
Bourdieu, perspectiva a noção de “capital” “sob a forma de um recurso que representa riqueza, uma “energia social”, e um poder”. Dentro destes capitais, existe o capital simbólico que é a associação última, por exemplo, de outros capitais: o económico, o cultural, o social. O simbolismo é tudo o que sacraliza, são as aparências tornadas legítimas aos olhos dos outros. O simbolismo tem o dom de marcar a diferença; é o reconhecimento de uns em relação aos outros.
“A actividade simbolizante e semântica do homem não se exprime, de facto, somente, com a língua e a palavra, mas igualmente, com todo o conjunto de padrões de comportamento e das instituições sociais. Qualquer acção do homem pode assumir o valor dum símbolo, isto é, pode ser inserida num sistema de interpretações e de expressões com as quais o próprio homem procura precisar a sua própria relação com a realidade cósmica, quer como indivíduos, quer como associações”.
Por outro lado, associado a esta carga simbólica, estão, inevitavelmente, presentes, os estilos de vida. Por sua vez, estes não podem ser entendidos sem serem inseridos num compromisso entre as aspirações dos indivíduos e dos constrangimentos da sociedade e do meio envolvente. Os estilos de vida dependem dos valores, que nada mais são, em termos sucintos, que o “mapa” mais abrangente de uma sociedade ou de uma cultura. Os valores modificam-se de acordo com os fluxos culturais (são as tendências dinâmicas que modificam sobre um longo período da hierarquia dos valores, os modos de pensamento e de expressão, os hábitos de comportamentos numa cultura, de forma diferenciada segundo os tipos de pessoas).
http://www.aps.pt/cms/docs_prv/docs/DPR462df6d1ecd2b_1.PDF
Os novos estilos de vida reflectiram-se no campo alimentar pela importância crescente do fast-food, que introduziu certamente novos hábitos de consumo e de lazer na sociedade portuguesa.
A McDonaldização dos hábitos alimentares decorre parcialmente de novas exigências produtividade económica, com efeitos não negligenciáveis sobre o aumento da obesidade, que “constitui um importante problema de saúde pública com consequências económicas de grande dimensão. Os obesos têm um risco acrescido de contrair doenças e de sofrer morte prematura devido a problemas como a diabetes, hipertensão arterial, AVC, insuficiência cardíaca e algumas neoplasias malignas”.
http://www.adexo.pt/pdf/JP_CM_obesidade%20RPSP_final.pdf
Os médicos alertam sistematicamente para a necessidade dos indivíduos cuidarem do “corpo”:
Dois factores são fundamentais na sociedade de consumo: a dieta e o exercício físico. Estas formas de investimento corporal são usadas para preservar a vida, aumentando os seus prazeres, que passam por consumir, gastar e saciar o desejo: o corpo na cultura de consumo é então um veículo de prazer. (...)
Ao longo dos tempos surge nas sociedades ocidentais uma noção de feminilidade que se entrecruza com a de consumismo e com a imitação de figuras de prestígio. Traçando uma evolução temporal, estas figuras de referência foram, aristocratas, seguidamente herdeiras de grandes fortunas, estrelas de cinema e depois modelos, estrelas pop e de televisão. Estas referências influenciaram pois o denominado ‘look’, ou seja, o conjunto iconográfico feminino. Logo, a identidade da mulher surge associada à exposição dos seus atributos (Craik, 1994). (...)
As adolescentes são das mais permeáveis ao culto dos vários modelos, seja através da tentativa de obtenção dos símbolos adoptados pelos seus ídolos, como as roupas ou os enfeites corporais, seja através da imitação dos seus maneirismos, positivamente valorizados nas sociedades de consumo. (...)
A questão do consumo torna-se pois fundamental para a construção da imagem corporal. Um corpo mal cuidado torna-se uma vergonha da classe – a que se pertence ou a que se aspira – que é concomitantemente projectada sobre esse mesmo corpo. Consequentemente, o corpo torna-se o signo de status mais estreitamente associado à pessoa, tornando-se a ocasião e o pretexto de um número sempre crescente de consumos (Maisonneuve e Bruchon-Schweiter, 1981). Simultaneamente, a aparência e a apresentação do corpo tornam-se centrais na construção da auto-identidade, através do desenvolvimento da consciência do corpo, que se deve aproximar o mais possível das imagens ideais para aumentar o seu valor, em termos de bem negociável e ‘vendável’ (Fox, 1997). Os corpos passam assim de produtores a produtos de consumo, apesar de não serem objectos passivos, na medida em que eles próprios consomem.
Na esteira de Giddens (1997), pode-se afirmar que a relação entre o corpo e a auto-identidade é cada vez mais dinâmica. O culto do corpo e da aparência encobrem assim a preocupação com o controlo activo e com a construção do corpo através das várias opções de estilos de vida que a modernidade reflexiva possibilita (Giddens, 1997).
Dá-se então uma espécie de fusão entre a preocupação interna com a saúde e a preocupação externa com a aparência, o movimento e o controlo do corpo. Por isso, hoje ter-se um corpo musculado, tonificado, firme, simboliza uma atitude social correcta, uma vez que corresponde a uma preocupação com a maneira como se ‘parece’ aos outros. Para mais, esta pertença envolve controlo, força de vontade e energia, a tradução de uma imagem de auto-suficiência e sucesso que é o ideal das sociedades (pós-) modernas – e que resulta da influência das várias figuras de referência. O recurso crescente à cirurgia estética para reconstruir os corpos acentua esta tendência. Aliás, a cirurgia estética pode ser vista como algo que, paradoxalmente, permite às mulheres sentirem-se sujeitos corporalizados e não ‘corpos objectivados’, vivenciando o corpo de uma forma plena, na medida em que agem sobre eles e os transformam, transformando-se também a elas próprias (Williams e Bendelow, 1998).
A saúde está deste modo envolvida na sociedade de consumo, através, por exemplo, da indústria da boa forma, como os aparelhos de ginástica que substituem a corrida, o andar de bicicleta, o remar, etc.. Sobressaem pois duas visões antagónicas: a) a noção de saúde como controlo, que reflecte e reforça os imperativos do capitalismo tardio em relação a uma força de trabalho disciplinada e produtiva; e b) a saúde vista como libertação – tornando-se uma metáfora para o imperativo em relação ao consumo. Chocam assim as necessidades de disciplina com as necessidades de prazer; o corpo é o reflexo da disposição e das contradições culturais da sociedade capitalista tardia (Williams e Bendelow, 1998).
http://www.aps.pt/vicongresso/pdfs/204.pdf
1. Define estilos de vida.
2. Identifica novos estilos de vida, referindo as preocupações com o “corpo” para os objectivar.
3. Partindo do exemplo do fast-food, discute a tendência para a uniformização dos padrões de consumo a nível mundial versus adaptação dos produtos aos contextos locais.
4. Relaciona a globalização com os novos estilos de vida (consumos lights, desportos radicais, consumos com consciência ambiental, etc.).
Outros recursos
Bourdieu, perspectiva a noção de “capital” “sob a forma de um recurso que representa riqueza, uma “energia social”, e um poder”. Dentro destes capitais, existe o capital simbólico que é a associação última, por exemplo, de outros capitais: o económico, o cultural, o social. O simbolismo é tudo o que sacraliza, são as aparências tornadas legítimas aos olhos dos outros. O simbolismo tem o dom de marcar a diferença; é o reconhecimento de uns em relação aos outros.
“A actividade simbolizante e semântica do homem não se exprime, de facto, somente, com a língua e a palavra, mas igualmente, com todo o conjunto de padrões de comportamento e das instituições sociais. Qualquer acção do homem pode assumir o valor dum símbolo, isto é, pode ser inserida num sistema de interpretações e de expressões com as quais o próprio homem procura precisar a sua própria relação com a realidade cósmica, quer como indivíduos, quer como associações”.
Por outro lado, associado a esta carga simbólica, estão, inevitavelmente, presentes, os estilos de vida. Por sua vez, estes não podem ser entendidos sem serem inseridos num compromisso entre as aspirações dos indivíduos e dos constrangimentos da sociedade e do meio envolvente. Os estilos de vida dependem dos valores, que nada mais são, em termos sucintos, que o “mapa” mais abrangente de uma sociedade ou de uma cultura. Os valores modificam-se de acordo com os fluxos culturais (são as tendências dinâmicas que modificam sobre um longo período da hierarquia dos valores, os modos de pensamento e de expressão, os hábitos de comportamentos numa cultura, de forma diferenciada segundo os tipos de pessoas).
http://www.aps.pt/cms/docs_prv/docs/DPR462df6d1ecd2b_1.PDF
Os novos estilos de vida reflectiram-se no campo alimentar pela importância crescente do fast-food, que introduziu certamente novos hábitos de consumo e de lazer na sociedade portuguesa.
- TEXTO: McDonald’s, fenómeno global no espaço local
A McDonald’s, com os seus famosos “Arcos Dourados”, é mais que uma cadeia de restaurantes e que uma experiência gastronómica. Estando associada a uma série de significados e práticas sociais, conduz-nos, a um mundo de fantasia e divertimento, expresso nos sorrisos dos funcionários, na figura de Ronald McDonald, nas próprias cores típicas da companhia (vermelho e amarelo), no ambiente que encontramos nos restaurantes e em diversas actividades destinadas ao seu público-alvo, as crianças e as famílias, tais como as festas de anos e as próprias promoções relacionadas com o Happy Meal.
Devemos, no entanto, questionar quer o modo como estes símbolos mundialmente reconhecidos se tornaram parte integrante da cadeia quer os próprios símbolos. Todos aqueles critérios, a partir dos quais nos habituámos a pensar na McDonald´s, são construções culturais, como nos lembra John Law (apud Star: 1996), devendo ser analisados sob este ponto de vista.
Sendo a McDonald’s um símbolo da globalização, da “americanização” e da “McDonaldização”, suscita o debate que opõe os que defendem que a globalização e os objectos culturais globais destroem o particular e único, contribuindo para o seu desaparecimento, aos que, por outro lado, acreditam no carácter mutuamente constitutivo do local e do global. Entendendo-se a globalização como a intensificação de trocas sociais, políticas, económicas e culturais a nível mundial, devemos, a nosso ver, compreender este conceito e os fenómenos a ele associados, particularmente no campo da alimentação, como estando numa tensão entre a tendência para a homogeneização e a impulsão do aumento da diversidade e heterogeneidade, permitindo o acréscimo do poder de escolha e o contacto com outras realidades.
É verdade que a McDonald’s está espalhada um pouco por todo o mundo, sendo responsável pela introdução de um tipo de alimentação homogénea e padronizada em várias partes do planeta. No entanto, o impacto da sua implantação depende do país em causa. Não podemos generalizar as consequências da introdução da McDonald’s, pois estaríamos a correr o risco de considerar o próprio mundo e os consumidores como estandardizados.
O facto de pertencermos a uma dada cultura dá-nos acesso a determinados significados que utilizamos quotidianamente para atribuir sentido ao mundo em que vivemos. Assim, o contexto cultural tem consequências no modo como o local absorve as formas culturais globais, as transforma e adapta à sua realidade, originando fenómenos globais híbridos recontextualizados.
No campo alimentar, devemos ter em conta que aquilo que comemos depende da sociedade em que vivemos e está sujeito a alterações ao longo do tempo, que estão associadas à criação de novas necessidades. Como nos lembra Margaret Visser (1998:117-130), quando uma sociedade aceita um novo alimento, fá-lo porque este pode preencher um determinado papel, mesmo que este esteja relacionado com fenómenos de moda. A McDonald’s deve ser compreendida como uma cadeia que produz um tipo de alimentação estandardizada que é introduzida nas diversas sociedades locais que, por sua vez, e até certo ponto, a transformam, combinando-a com as suas práticas alimentares locais, em associações únicas que contribuem para a diversificação alimentar.
A Cadeia, enquanto fenómeno cultural, deve ser apreendida do ponto de vista da produção, do marketing, do consumo e do uso, uma vez que devemos ter em atenção a criatividade da companhia e dos consumidores, o que nos remete para a noção de consumo de McCracken (1988), o processo pelo qual os bens de consumo e os serviços são criados, comprados e usados.
Compreender o processo de produção é mais do que tomar conhecimento do modo como são confeccionados os hambúrgueres e as batatas, uma vez que isso, por si só, não nos permite saber como é construído o significado social conotado com a McDonald´s. A apreensão do modo como os significados e práticas que associamos à McDonald’s se tornaram emblemáticos implica a análise dos processos de difusão utilizados pela cadeia para transmitir mundialmente a sua mensagem, da sua história e cultura, o que está directamente associado à identidade da mesma e ao perfil dos funcionários e dos franqueados que encontramos na McDonald´s.
http://www.aps.pt/cms/docs_prv/docs/DPR4628d6b350935_1.pdf
A McDonaldização dos hábitos alimentares decorre parcialmente de novas exigências produtividade económica, com efeitos não negligenciáveis sobre o aumento da obesidade, que “constitui um importante problema de saúde pública com consequências económicas de grande dimensão. Os obesos têm um risco acrescido de contrair doenças e de sofrer morte prematura devido a problemas como a diabetes, hipertensão arterial, AVC, insuficiência cardíaca e algumas neoplasias malignas”.
http://www.adexo.pt/pdf/JP_CM_obesidade%20RPSP_final.pdf
Os médicos alertam sistematicamente para a necessidade dos indivíduos cuidarem do “corpo”:
-
A actividade física pode salvar a vida, literalmente. Os benefícios de exercitar o corpo durante 30 a 60 minutos por dia, vários dias por semana são muitos:
- reduz o risco de doenças cardiovasculares;
- ajuda a controlar e a prevenir factores de risco como a pressão arterial alta, o colesterol elevado e a obesidade;
- ajuda a baixar os níveis de stress;
- aumenta a energia;
- melhora o sono e a digestão;
- melhora o bem-estar geral e estimula a procura de estilos de vida mais saudáveis.
http://www.fpcardiologia.pt/cuidedesi_1.html
Dois factores são fundamentais na sociedade de consumo: a dieta e o exercício físico. Estas formas de investimento corporal são usadas para preservar a vida, aumentando os seus prazeres, que passam por consumir, gastar e saciar o desejo: o corpo na cultura de consumo é então um veículo de prazer. (...)
Ao longo dos tempos surge nas sociedades ocidentais uma noção de feminilidade que se entrecruza com a de consumismo e com a imitação de figuras de prestígio. Traçando uma evolução temporal, estas figuras de referência foram, aristocratas, seguidamente herdeiras de grandes fortunas, estrelas de cinema e depois modelos, estrelas pop e de televisão. Estas referências influenciaram pois o denominado ‘look’, ou seja, o conjunto iconográfico feminino. Logo, a identidade da mulher surge associada à exposição dos seus atributos (Craik, 1994). (...)
As adolescentes são das mais permeáveis ao culto dos vários modelos, seja através da tentativa de obtenção dos símbolos adoptados pelos seus ídolos, como as roupas ou os enfeites corporais, seja através da imitação dos seus maneirismos, positivamente valorizados nas sociedades de consumo. (...)
A questão do consumo torna-se pois fundamental para a construção da imagem corporal. Um corpo mal cuidado torna-se uma vergonha da classe – a que se pertence ou a que se aspira – que é concomitantemente projectada sobre esse mesmo corpo. Consequentemente, o corpo torna-se o signo de status mais estreitamente associado à pessoa, tornando-se a ocasião e o pretexto de um número sempre crescente de consumos (Maisonneuve e Bruchon-Schweiter, 1981). Simultaneamente, a aparência e a apresentação do corpo tornam-se centrais na construção da auto-identidade, através do desenvolvimento da consciência do corpo, que se deve aproximar o mais possível das imagens ideais para aumentar o seu valor, em termos de bem negociável e ‘vendável’ (Fox, 1997). Os corpos passam assim de produtores a produtos de consumo, apesar de não serem objectos passivos, na medida em que eles próprios consomem.
Na esteira de Giddens (1997), pode-se afirmar que a relação entre o corpo e a auto-identidade é cada vez mais dinâmica. O culto do corpo e da aparência encobrem assim a preocupação com o controlo activo e com a construção do corpo através das várias opções de estilos de vida que a modernidade reflexiva possibilita (Giddens, 1997).
Dá-se então uma espécie de fusão entre a preocupação interna com a saúde e a preocupação externa com a aparência, o movimento e o controlo do corpo. Por isso, hoje ter-se um corpo musculado, tonificado, firme, simboliza uma atitude social correcta, uma vez que corresponde a uma preocupação com a maneira como se ‘parece’ aos outros. Para mais, esta pertença envolve controlo, força de vontade e energia, a tradução de uma imagem de auto-suficiência e sucesso que é o ideal das sociedades (pós-) modernas – e que resulta da influência das várias figuras de referência. O recurso crescente à cirurgia estética para reconstruir os corpos acentua esta tendência. Aliás, a cirurgia estética pode ser vista como algo que, paradoxalmente, permite às mulheres sentirem-se sujeitos corporalizados e não ‘corpos objectivados’, vivenciando o corpo de uma forma plena, na medida em que agem sobre eles e os transformam, transformando-se também a elas próprias (Williams e Bendelow, 1998).
A saúde está deste modo envolvida na sociedade de consumo, através, por exemplo, da indústria da boa forma, como os aparelhos de ginástica que substituem a corrida, o andar de bicicleta, o remar, etc.. Sobressaem pois duas visões antagónicas: a) a noção de saúde como controlo, que reflecte e reforça os imperativos do capitalismo tardio em relação a uma força de trabalho disciplinada e produtiva; e b) a saúde vista como libertação – tornando-se uma metáfora para o imperativo em relação ao consumo. Chocam assim as necessidades de disciplina com as necessidades de prazer; o corpo é o reflexo da disposição e das contradições culturais da sociedade capitalista tardia (Williams e Bendelow, 1998).
http://www.aps.pt/vicongresso/pdfs/204.pdf
1. Define estilos de vida.
2. Identifica novos estilos de vida, referindo as preocupações com o “corpo” para os objectivar.
3. Partindo do exemplo do fast-food, discute a tendência para a uniformização dos padrões de consumo a nível mundial versus adaptação dos produtos aos contextos locais.
4. Relaciona a globalização com os novos estilos de vida (consumos lights, desportos radicais, consumos com consciência ambiental, etc.).
Outros recursos
02/04/2012
Sexting
Quando as nossas imagens íntimas vão parar à Internet
Artigo de Bárbara Wong, no PÚBLICO.
Arquivado por Aventura Social Mais Recursos sobre Sexting em...
Artigo de Bárbara Wong, no PÚBLICO.
Arquivado por Aventura Social Mais Recursos sobre Sexting em...
Globalização
A economia informacional é global. Uma economia global é uma nova realidade histórica diferente de uma economia mundial. Segundo Fernand Braudel e Immanuel Wallerstein, economia mundial, ou seja, uma economia em que a acumulação de capital avança por todo o Mundo, existe no Ocidente, no mínimo desde o século XVI. Uma economia global é algo diferente: é uma economia com capacidade para funcionar como uma unidade em tempo real, à escala planetária. (...) Economia global é uma economia cujas componentes nucleares, têm a capacidade institucional, organizacional e tecnológica para trabalharem como uma unidade em tempo real ou num tempo convencionado, a uma escala planetária (Castells, 2007a, p. 124).
A economia portuguesa encontra-se aberta ao exterior num grau análogo ao de numerosos outros países.
http://dx.doi.org/10.1787/888932503797
Mas a inexistência de um sector industrial será uma das razões que justifica o défice estrutural da balança corrente, abaixo indicado em percentagem do PIB.
http://dx.doi.org/10.1787/888932504272
O desenvolvimento das TIC nunca foi um ponto forte da sociedade portuguesa, mas desde que a Internet passou a ser comercializada - desde 1990(*) - mudou as rotinas diárias das famílias.
Os meios de comunicação também têm sentido necessidade de se adaptar ao meio electrónico. Vivemos num paradigma em que o jornalista escrevia notícias padronizadas para uma massa de leitores, emergindo agora a sua integração em redes sociais onde estes ainda não descobriram um modelo de negócio.
O teórico mais respeitado dos meios de comunicação é Marshall McLuan. Para ele “As sociedades têm sempre sido redesenhadas mais pelas características dos meios de comunicação utilizados pelos homens que pelo conteúdo da comunicação”.
Todos os media são extensões de algumas faculdades humanas, mentais ou físicas. A roda é uma extensão dos pés. O livro é uma extensão dos olhos. A roupa é uma extensão da pele. Os sinais eléctricos são uma extensão do sistema neuronal-central. A forma como são transmitidos estes sinais afecta a forma como nós pensamos, e quando muda o modo de transmissão a sociedade também muda.
Estamos habituados a pensar excessivamente no conteúdo das mensagens, mas como nos recorda Marshall McLuan, “o meio é a mensagem”, o meio é uma provocação, uma forma de pedir atenção, não é qualquer coisa neutral, desenha o mapa, sobretudo quando o meio é novidade. Eis alguns dos seus tweets:
Não interessa o que você diz ao telefone; o facto é que você está lá.
À velocidade da luz não existe uma sequência; tudo acontece de uma só vez.
Nosso novo ambiente eléctrico obriga ao empenho e participação e preenche as necessidades psíquicas e sociais do homem em níveis profundos.
A extensão de nosso sistema nervoso como um ambiente de total de informação é uma extensão do processo evolutivo.
A aldeia global é um lugar de interfaces muito difíceis e situações muito abrasivas.
Os novas mídias procuram que você se envolva e tome parte da acção.
Quando a informação se torna totalmente ambiental e instantânea, é impossível ter monopólio do conhecimento.
Como é possível que o hardware do teu computador seja mais barato que a licença do Windows?
Uma pista interessante para responder a esta pergunta encontra-se no vídeo The Story of Stuff, a história das coisas, que apresenta a sociedade de consumo como motor do sistema capitalista.
Num post com 1000 palavras, pretende-se que tenha em consideração os seguintes objectivos:
- Constatar a aceleração das trocas e dos movimentos da população a nível mundial
- Referir as várias dimensões do fenómeno da globalização (económica, financeira e cultural)
- Explicitar a importância da globalização da economia referindo o papel das empresas transnacionais (ETN), frequentemente designadas multinacionais
- Explicitar o papel dos meios de comunicação (audiovisuais, agências de informação, imprensa, livros, publicidade, bases de dados, TIC, internet, etc.) na difusão cultural
- Explicar o papel dos meios de comunicação social na sociedade actual
- Relacionar a globalização com as novas representações sociais
- Aculturação. A língua inglesa como factor homogeneizador das culturas nacionais / As TIC como novas possibilidades de expressão de culturas minoritárias (o exemplo do Mirandês, Site para aprender Mirandês * Vídeo sobre o Mirandês )
NOTA
(*) A Internet começou a ser comercializada em 1990 pelo PUUG. O ISP de maior dimensão viria a ser a Telepac que começou a fornecer o serviço Internet entre 1992 e 1995, mas só partir de 1999/2000 se popularizará.
Recursos
A economia portuguesa encontra-se aberta ao exterior num grau análogo ao de numerosos outros países.
http://dx.doi.org/10.1787/888932503797
Mas a inexistência de um sector industrial será uma das razões que justifica o défice estrutural da balança corrente, abaixo indicado em percentagem do PIB.
http://dx.doi.org/10.1787/888932504272
O desenvolvimento das TIC nunca foi um ponto forte da sociedade portuguesa, mas desde que a Internet passou a ser comercializada - desde 1990(*) - mudou as rotinas diárias das famílias.
Os meios de comunicação também têm sentido necessidade de se adaptar ao meio electrónico. Vivemos num paradigma em que o jornalista escrevia notícias padronizadas para uma massa de leitores, emergindo agora a sua integração em redes sociais onde estes ainda não descobriram um modelo de negócio.
O teórico mais respeitado dos meios de comunicação é Marshall McLuan. Para ele “As sociedades têm sempre sido redesenhadas mais pelas características dos meios de comunicação utilizados pelos homens que pelo conteúdo da comunicação”.
Todos os media são extensões de algumas faculdades humanas, mentais ou físicas. A roda é uma extensão dos pés. O livro é uma extensão dos olhos. A roupa é uma extensão da pele. Os sinais eléctricos são uma extensão do sistema neuronal-central. A forma como são transmitidos estes sinais afecta a forma como nós pensamos, e quando muda o modo de transmissão a sociedade também muda.
Estamos habituados a pensar excessivamente no conteúdo das mensagens, mas como nos recorda Marshall McLuan, “o meio é a mensagem”, o meio é uma provocação, uma forma de pedir atenção, não é qualquer coisa neutral, desenha o mapa, sobretudo quando o meio é novidade. Eis alguns dos seus tweets:
Não interessa o que você diz ao telefone; o facto é que você está lá.
À velocidade da luz não existe uma sequência; tudo acontece de uma só vez.
Nosso novo ambiente eléctrico obriga ao empenho e participação e preenche as necessidades psíquicas e sociais do homem em níveis profundos.
A extensão de nosso sistema nervoso como um ambiente de total de informação é uma extensão do processo evolutivo.
A aldeia global é um lugar de interfaces muito difíceis e situações muito abrasivas.
Os novas mídias procuram que você se envolva e tome parte da acção.
Quando a informação se torna totalmente ambiental e instantânea, é impossível ter monopólio do conhecimento.
Como é possível que o hardware do teu computador seja mais barato que a licença do Windows?
Uma pista interessante para responder a esta pergunta encontra-se no vídeo The Story of Stuff, a história das coisas, que apresenta a sociedade de consumo como motor do sistema capitalista.
Num post com 1000 palavras, pretende-se que tenha em consideração os seguintes objectivos:
- Constatar a aceleração das trocas e dos movimentos da população a nível mundial
- Referir as várias dimensões do fenómeno da globalização (económica, financeira e cultural)
- Explicitar a importância da globalização da economia referindo o papel das empresas transnacionais (ETN), frequentemente designadas multinacionais
- Explicitar o papel dos meios de comunicação (audiovisuais, agências de informação, imprensa, livros, publicidade, bases de dados, TIC, internet, etc.) na difusão cultural
- Explicar o papel dos meios de comunicação social na sociedade actual
- Relacionar a globalização com as novas representações sociais
- Aculturação. A língua inglesa como factor homogeneizador das culturas nacionais / As TIC como novas possibilidades de expressão de culturas minoritárias (o exemplo do Mirandês, Site para aprender Mirandês * Vídeo sobre o Mirandês )
NOTA
(*) A Internet começou a ser comercializada em 1990 pelo PUUG. O ISP de maior dimensão viria a ser a Telepac que começou a fornecer o serviço Internet entre 1992 e 1995, mas só partir de 1999/2000 se popularizará.
Recursos
- Aldeia Global, Marshall McLuhan
- Nativos Digitais vs. Imigrantes Digitais
- O MAIS QUE PROVÁVEL RETORNO AO SINGULAR E ÀS DIFERENÇAS
- Vídeo-Aula 1 sobre Globalização em brasileiro
- Vídeo-Aula 2 sobre Globalização em brasileiro
- Relatório de Riscos Globais 2012 (em inglês) - World Economic Forum - Versão Interactiva
- Relatório de Riscos Globais 2012 (em inglês) - World Economic Forum - Versão PDF
- Relatório de Riscos Globais 2012 (em inglês) - World Economic Forum - Vídeo Promocional
- Relatório de Riscos Globais 2012 (em português) - World Economic Forum - Sumário Executivo
- “Pela primeira vez em várias gerações, muitos indivíduos não acreditam que os seus filhos terão no futuro um padrão de vida melhor que o seu”, afirmou o Diretor Executivo responsável pelo Relatório
- Nem a cerveja SAGRES é portuguesa
- A China na Internet (em Inglês)
Reprodução e mudança social
Fonte: Mobilidade social e atitudes de classe em Portugal, Análise Social, vol. xxxiii (146-147), 1998 (2.o -3.°), 381-414
Reprodução social consiste no facto de qualquer sociedade, sentir a necessidade imperiosa de regenerar os indivíduos constantemente. Por extensão, sociologicamente, a reprodução social refere-se ao fenómeno sociológico de imobilidade social intergeracional. Isto é, as famílias tendencialmente mantém o seu status social de uma geração para outra através da transmissão de um património, tangível ou intangível. Isso reflete-se estatisticamente pelo facto de que o filho de um trabalhador indiferenciado hoje, muito mais provavelmente se tornar trabalhador indiferenciado amanhã que deixar a sua classe. Até mesmo um filho de quadro tenderá a tornar-se outro quadro, sendo particularmente difícil descer ou subir de estrato social (mobilidade social descendente ou ascendente).
Num estudo sobre mobilidade ocupacional em 11 países, o Observatório da Situação Social, concluiu que o efeito ocupação dos pais sobre uma ocupação de direcção ou profissional é mais acentuado em Portugal e na Hungria. Em Portugal, alguém cujo pai desempenhe uma ocupação de direcção ou profissional tem 15 vezes maior probabilidade de atingir esses empregos que outro colega cujo pai seja um operário qualificado ou não qualificado.
Na Hungria, Chipre e Bulgária este ratio também se encontra acima de 10. Em contraste, na Finlândia e Letónia, o ratio é apenas de 4.
Giddens (2000) define reprodução social como os processos que sustentam e perpetuam as características da estrutura social ao longo do tempo.
Este imobilismo na estrutura social das sociedades capitalistas, mostra que o resultado da actividade da Escola pública não produz os efeitos para que foi criada desde os ideais iluministas no séc. XVIII. A denúncia desta situação pela Sociologia atribui-se à obra de Pierre BORDIEU e Jean-Claude PASSERON, em A Reprodução: Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino (1970).
Apresentamos brevemente a obra tomando como base a entrevista de Boudieu abaixo:
O pai rico pode dar dinheiro ao seu filho para ele criar uma nova empresa. Se ele cursar uma escola medíocre, se fracassar tudo, até a escola comercial, como os filhinhos do papai fazem hoje, o pai pode dar-lhe dinheiro e ele recomeça... tem de se reproduzir, não se tornará operário! (04:10)
Hoje há outra forma de capital, o capital cultural. É difícil de definir, mas em primeiro lugar temos o domínio da língua. Todos falam francês, até os imigrantes que chegaram há um ano falam francês, mas esse francês não tem mérito escolar, aí você vai tirar zero. Tudo o que vem com isso, tudo o que adquire ouvindo o pai contar estórias, lendo livros, mesmo os de criança, tudo isso é capital cultural, que está desigualmente repartido. Se todos falassem francês sem sotaque ninguém teria mérito. (04:50)
As crianças da classe média sabem direitinho dar à professora o que ela quer. Sabem porque são oriundos do mesmo meio, a mãe faz o mesmo. Então eles ficam bem vistos, têm boas notas, ficam contentes, etc. (06:02)
Há pré-saberes escolares importantes: como se comportar, como chegar, como agir, cuidar do caderno, etc. (06:37)
“Docilis” significa que se deixa instruir. Por exemplo a diferença de êxito entre rapazes e raparigas acontece porque elas têm mais docilidade. Não é que seja da natureza das raparigas, é porque são criadas assim e estão prontas para dar à escola o que esta lhe pede. (07:00)
TEXTO
Embora se fale da democratização do acesso e se diga que as portas da universidade estão abertas a todos, um inquérito revela que continuam a ser os filhos das classes "melhor providas de recursos" os que têm mais facilidade em entrar e escolher as licenciaturas com melhores saídas profissionais, como Ciências Médicas. (...) De uma maneira geral, o recrutamento dos alunos concentra-se nas classes com maiores recursos e mais influência. Paralelamente, verifica-se um menor acesso dos filhos de famílias com menos recursos. Os investigadores construíram um "índice de recrutamento escolar" onde jogam com dois factores: a família de origem e a população nacional. Concluíram que os indivíduos oriundos das famílias que não ultrapassam o 1º ciclo do básico "têm nove a 20 vezes menos probabilidades de aceder à universidade do que os que são provenientes de grupos domésticos que atingiram o mais alto nível de escolaridade". No cenário do ensino superior português, os filhos de pais com o secundário ou um curso superior estão portanto sobrerepresentados, porque têm mais hipóteses de aceder à universidade.
Fonte: PÚBLICO, Filhos das "Elites" Têm Maiores Probabilidades de Entrar para Cursos com Boas Saídas, por BÁRBARA WONG, Sexta-feira, 29 de Março de 2002
Guy Rocher define a mudança social como toda a transformação observável no tempo, que afecta, de maneira que não seja provisória ou efémera a estrutura ou o funcionamento da organização social de uma colectividade e modifica o curso de sua história. É a mudança de estrutura resultante da acção histórica de certos factores ou de certos grupos no seio de dada colectividade (in Lakatos, 1995, p. 283).
Quanto às características essenciais da mudança aponta os seguintes aspectos:
a) Fenómeno colectivo. Abrange um sector significativo de uma colectividade, afectando as condições ou as formas de vida dos seus elementos.
b) Mudança de estrutura. É necessário identificar elementos estruturais ou culturais da organização social que sofreram alterações.
c) Identificação no tempo. É preciso identificar um ponto de referência a partir do qual o conjunto de transformações possa ser localizado no tempo.
d) Permanência. As transformações observadas e analisadas, devem ter um certo carácter de durabilidade, não devem ser passageiras nem superficiais.
e) Interferência no curso da história de uma sociedade. Decorrente das características anteriores.
f) Acção histórica. Tanto a organização social como a mudança são produtos das actividades dos componentes de uma sociedade, que operam no sentido de originar, acentuar, diminuir ou impedir as modificações de partes ou da totalidade da organização social.
1. Com base no texto apresentado, refere a importância do capital cultural e da riqueza na reprodução social.
2. Tendo presentes as características da mudança social, analisa a possibilidade de a banalização das TIC estar a provocar uma mudança social na sociedade portuguesa.
3. Do teu ponto te vista, como estudante, a mudança que referiste em 2. abre-te mais possibilidades mobilidade ascendente ou cristaliza ainda mais o processo de reprodução social. Justifica.
4.
Indica cinco aspectos que consideres importantes na mudança que se registou em Portugal nas últimas décadas.
Recursos
- Portugal. Um Retrato Social - Vídeos de António Barreto. - Uma síntese: 40 anos
- Mudança Social em Portugal, 1960-2000, António Barreto
- http://fr.wikipedia.org/wiki/La_Reproduction
- A Reprodução: Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino (1970) - Recensão em português
- Melhores Profissões em 2012 nos EUA - Tradução para as primeiras 99 profissões
- Mudanças Familiares e Educativas no Meio Rural
- Inquérito aos alunos da Universidade de Lisboa mostra que a selectividade social no ingresso faz-se sentir mais em certos cursos, como Medicina e Belas-Artes
- Mães com estudos, filhos com canudos
- Escola pública e igualdade de oportunidades (II)
31/03/2012
Instituições sociais
“Denominar-se-á instituição (Anstalt) uma associação cujos ordenamentos estatuídos, dentro de um domínio especificável, são impostos de modo (relativamente) eficaz a toda a acção segundo determinadas características dadas” (Weber, 2000:80).
Lakatos cita Joseph Fichter (1995:166) apresentando o conceito de instituição social: “uma estrutura relativamente permanente de padrões, papéis e relações que os indivíduos realizam segundo determinadas formas sancionadas e unificadas com o objectivo de satisfazer necessidades sociais básicas”.
As características das instituições são:
- Finalidade ou Função. Satisfação das necessidades sociais.
- Conteúdo relativamente permanente. Padrões, papéis e relações entre indivíduos da mesma cultura.
- Serem estruturadas. Há coesão entre os componentes, em virtude de combinações estruturais de padrões de comportamento.
- Estrutura unificada. Cada instituição, apesar de não ser completamente separada das demais, funciona como uma unidade.
- Possuem valores. Código de conduta.
Todas as instituições devem ter função e estrutura. Função é a meta ou propósito do grupo, cujo objectivo seria regular as necessidades. A Estrutura é composta de pessoal (elementos humanos); equipamentos (aparelhagem material ou imaterial); organização (disposição do pessoal e do equipamento, observando-se uma hierarquia-autoridade e subordinação); comportamento (normas que regulam a conduta dos indivíduos).
Veja-se como exemplo a empresa industrial. Possui função, produz bens e serviços para gerar lucros; e estrutura, que se subdivide em pessoal (direcção, funcionários administrativos e operários), equipamento ((1) imóveis, máquinas e equipamentos materiais, e (2) marca e reputação (imateriais)), organização (democrática ou autocrática, centralizada ou descentralizada) e comportamentos, normas para a constituição e funcionamento, direitos e deveres regulados pelas leis vigentes e pelos estatutos.
As principais instituições sociais são a Família, a Igreja, o Estado, a Empresa e a Escola.
A Família, em geral, é considerada o fundamento básico e universal das sociedades, por se encontrar presente em todos os agrupamentos humanos. Igreja. Durkheim definiu a religião como “um sistema unificado de crenças e práticas relativas a coisas sagradas, isto é, a coisas colocadas à parte e proibidas – crenças e práticas que unem numa comunidade única todos os que as adoptam” (Lakatos, 1995, 179).
Por Estado “entender-se-á uma função institucional política, quando e na medida em que o seu quadro administrativo reclama com êxito o monopólio legítimo da coacção física para a manutenção das ordenações” (Weber, 2000:83).
Após a Revolução Industrial, a Família perde grande parte das suas funções económicas, que se transferem para uma variedade de outras organizações, como as Empresas e Estado. Só a partir de então este adquire capacidade para intervir na actividade económica.
É inútil julgarmos que educamos os nossos filhos como pretendemos. É que somos obrigados a seguir as regras que imperam no meio social em que vivemos. É a opinião quem nos impõe essas regras, e a opinião é uma força moral cujo poder constrangedor não é inferior ao das coisas físicas. (...) A Escola é o sistema educativo de um país numa época. Cada povo tem o seu, como tem o seu sistema moral, religioso, económico, etc. (Durkheim, 2001: 32).
1. Justifique a perda de importância da Igreja enquanto instituição, na actualidade, referindo:
a) A globalização;
b) A escolarização; e
c) A urbanização.
2. Verifique se o namoro é uma instituição:
a) Na perspectiva Weber;
b) Na perspectiva de Fichter.
Sugestão de Leitura sobre o namoro
Qual é a função do namoro? A resposta parece variar em função das gerações inquiridas. Para as avós qualquer contacto era interdito até à noite do casamento. Hoje os parceiros conhecem-se antes. Não será esta a finalidade/função do namoro?
Nas gerações mais velhas, sobretudo para as avós (...) os namoros são descritos como amizades onde a aproximação entre os protagonistas repousa sobre um compromisso pouco rígido, e onde não parece haver lugar para grandes experimentações ou contactos físicos; (...) enquanto nas gerações mais velhas prevalece uma moral sexual mais conservadora, institucionalizadora e defensora do puritanismo sexual, os jovens transportam uma nova ética, mais experimentalista e fragmentada, “onde há lugar para ligações fugazes e românticas; experiências pré-matrimoniais e coabitacionais; iniciações sexuais precoces e relações heterogâmicas; sendo, finalmente, observável uma relativa tolerância a diversas formas de sexualidade socialmente ou ideologicamente consideradas mais ‘periféricas’”.
Fonte: http://www.aps.pt/vicongresso/pdfs/438.pdf
Lakatos cita Joseph Fichter (1995:166) apresentando o conceito de instituição social: “uma estrutura relativamente permanente de padrões, papéis e relações que os indivíduos realizam segundo determinadas formas sancionadas e unificadas com o objectivo de satisfazer necessidades sociais básicas”.
As características das instituições são:
- Finalidade ou Função. Satisfação das necessidades sociais.
- Conteúdo relativamente permanente. Padrões, papéis e relações entre indivíduos da mesma cultura.
- Serem estruturadas. Há coesão entre os componentes, em virtude de combinações estruturais de padrões de comportamento.
- Estrutura unificada. Cada instituição, apesar de não ser completamente separada das demais, funciona como uma unidade.
- Possuem valores. Código de conduta.
Todas as instituições devem ter função e estrutura. Função é a meta ou propósito do grupo, cujo objectivo seria regular as necessidades. A Estrutura é composta de pessoal (elementos humanos); equipamentos (aparelhagem material ou imaterial); organização (disposição do pessoal e do equipamento, observando-se uma hierarquia-autoridade e subordinação); comportamento (normas que regulam a conduta dos indivíduos).
Veja-se como exemplo a empresa industrial. Possui função, produz bens e serviços para gerar lucros; e estrutura, que se subdivide em pessoal (direcção, funcionários administrativos e operários), equipamento ((1) imóveis, máquinas e equipamentos materiais, e (2) marca e reputação (imateriais)), organização (democrática ou autocrática, centralizada ou descentralizada) e comportamentos, normas para a constituição e funcionamento, direitos e deveres regulados pelas leis vigentes e pelos estatutos.
As principais instituições sociais são a Família, a Igreja, o Estado, a Empresa e a Escola.
A Família, em geral, é considerada o fundamento básico e universal das sociedades, por se encontrar presente em todos os agrupamentos humanos. Igreja. Durkheim definiu a religião como “um sistema unificado de crenças e práticas relativas a coisas sagradas, isto é, a coisas colocadas à parte e proibidas – crenças e práticas que unem numa comunidade única todos os que as adoptam” (Lakatos, 1995, 179).
Por Estado “entender-se-á uma função institucional política, quando e na medida em que o seu quadro administrativo reclama com êxito o monopólio legítimo da coacção física para a manutenção das ordenações” (Weber, 2000:83).
Após a Revolução Industrial, a Família perde grande parte das suas funções económicas, que se transferem para uma variedade de outras organizações, como as Empresas e Estado. Só a partir de então este adquire capacidade para intervir na actividade económica.
É inútil julgarmos que educamos os nossos filhos como pretendemos. É que somos obrigados a seguir as regras que imperam no meio social em que vivemos. É a opinião quem nos impõe essas regras, e a opinião é uma força moral cujo poder constrangedor não é inferior ao das coisas físicas. (...) A Escola é o sistema educativo de um país numa época. Cada povo tem o seu, como tem o seu sistema moral, religioso, económico, etc. (Durkheim, 2001: 32).
1. Justifique a perda de importância da Igreja enquanto instituição, na actualidade, referindo:
a) A globalização;
b) A escolarização; e
c) A urbanização.
2. Verifique se o namoro é uma instituição:
a) Na perspectiva Weber;
b) Na perspectiva de Fichter.
Sugestão de Leitura sobre o namoro
Qual é a função do namoro? A resposta parece variar em função das gerações inquiridas. Para as avós qualquer contacto era interdito até à noite do casamento. Hoje os parceiros conhecem-se antes. Não será esta a finalidade/função do namoro?
Nas gerações mais velhas, sobretudo para as avós (...) os namoros são descritos como amizades onde a aproximação entre os protagonistas repousa sobre um compromisso pouco rígido, e onde não parece haver lugar para grandes experimentações ou contactos físicos; (...) enquanto nas gerações mais velhas prevalece uma moral sexual mais conservadora, institucionalizadora e defensora do puritanismo sexual, os jovens transportam uma nova ética, mais experimentalista e fragmentada, “onde há lugar para ligações fugazes e românticas; experiências pré-matrimoniais e coabitacionais; iniciações sexuais precoces e relações heterogâmicas; sendo, finalmente, observável uma relativa tolerância a diversas formas de sexualidade socialmente ou ideologicamente consideradas mais ‘periféricas’”.
Fonte: http://www.aps.pt/vicongresso/pdfs/438.pdf
20/03/2012
Estudos e Representações
Quem utiliza linguagem vulgar nunca refere esse aspecto. Só o método científico sente necessidade de precisar exactamente o seu objecto de estudo: as representações. Assim, o título da imagem B pode parecer uma armadilha ;) [Clique nas imagens para verificar a sua origem]
Realmente não foi armadilha... foi quase igual à questão 6 deste post, respondida aqui.
Realmente não foi armadilha... foi quase igual à questão 6 deste post, respondida aqui.
06/03/2012
Ordem social e controlo social
- "Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem."
Bertolt Brecht, escritor/ poeta/dramaturgo alemão (1898-1956)
As nossas actividades desmoronar-se-iam se não cumpríssemos as regras que definem certos tipos de comportamento como correctos em determinados contextos e outros como inapropriados. Um comportamento civilizado na estrada, por exemplo, seria impossível se os condutores não respeitassem a regra de conduzir à direita. Poderá pensar-se que aqui não há desviantes, a não ser em caso de condução negligente ou sob influência do álcool. Contudo, se pensa desta forma está enganado. A maioria dos condutores é constituída não apenas por indivíduos desviantes mas por criminosos também, na medida em que a maioria das pessoas, sempre que a polícia de trânsito não está à vista, conduz bem acima dos limites de velocidade.
Todos nós tanto desrespeitamos regras como as seguimos; todos somos também criadores de regras. Os condutores podem não circular a 120 km/h nas autoestradas nem a 100 km/h nas vias rápidas, mas a maioria dos condutores não ultrapassa os 140 km/h nas primeiras, nem os 120 km/h nas segundas, e tem tendência a reduzir a velocidade sempre que atravessam áreas urbanas.
Ninguém quebra todas as regras, assim como ninguém as respeita todas. Mesmo indivíduos que estão totalmente à margem da sociedade respeitável, como os assaltantes de bancos, seguirão as regras dos grupos a que pertencem.
O estudo do comportamento desviante é das áreas mais intrigantes e complexas da Sociologia, ensinando-nos que ninguém é tão normal quanto gosta de pensar. Ajuda-nos igualmente a perceber que aquelas pessoas cujo comportamento pode parecer estranho ou incompreensível, são seres racionais quando compreendemos a razão dos seus actos.
O desvio, tal como a conformidade às normas e regras sociais dependem do poder social para definir e impor os padrões de conduta, pelo que o desvio nunca poderá ser definido sem nos questionarmos: “as regras de quem?”.
Uma acção que nos parece criminosa num dado contexto, poderá noutra situação parecer heróica [ver Jodie Foster, em A Estranha em Mim].
O desvio pode ser definido como uma inconformidade em relação a determinado conjunto de normas aceite por um número significativo de pessoas. As normas são acompanhadas por sanções que promovem a conformidade (sanções positivas) e castigam a não conformidade (sanções negativas).
O desvio é o conjunto de comportamentos e de situações que os membros de um grupo consideram não conformes às suas expectativas, normas ou valores e que, por isso, correm o risco de suscitar condenação e sanções da sua parte. (Boudon, 1995:380) A definição de comportamento desviante pressupõe a existência de um universo normativo, estabelecendo os comportamentos padrão no mesmo grupo.
É habitual distinguir entre sanções físicas, sanções económicas, sanções religiosas e sanções especificamente sociais, que são mais diversas e numerosas. O grupo de amigos, a família e a pequena comunidade empregam fundamentalmente sanções sociais, que variam com a gravidade da falta.
O falatório, o diz-que-diz, a fofoca, o mexerico, a bisbilhotice são sanções poderosas e temidas, tanto mais eficazes quanto menor a comunidade; seu poder baseia-se principalmente nas possíveis deformações e amplificações da realidade. Por sua vez, a excentricidade, as acções consideradas ridículas dão origem a um outro tipo de sanção: a troça, a zombaria e o riso. A reprovação da conduta pode manifestar-se ainda através do silêncio, do olhar de censura, da careta e de outras expressões fisionómicas.
Na sociedade urbana, o anonimato, a mobilidade e os variados grupos existentes diminuem a eficácia de todos os tipos de sanções informais, criando a necessidade de outros meios de controlo social mais formais. Os controlos formais são obrigatórios para todos os indivíduos que participam num grupo, grande ou pequeno, onde são introduzidos. São formais: as leis, os decretos, e demais diplomas promulgados pelo Estado (resoluções, portarias, estatutos,…): os estatutos e regulamentos dos sindicatos, das empresas, dos clubes, das escolas e Universidades,...; os preceitos da Igreja.
A expressão “controlo social” geralmente é caracterizada nos dicionários como circunscrevendo uma temática relativamente autónoma de pesquisa, voltada para o estudo do “conjunto dos recursos materiais e simbólicos de que uma sociedade dispõe para assegurar a conformidade do comportamento de seus membros a um conjunto de regras e princípios prescritos e sancionados” (Boudon; Bourricaud, in ALVAREZ, 2004:169).
http://www.scielo.br/pdf/spp/v18n1/22239.pdf
O controlo social já estava implícito na obra de Durkheim, apesar de ter desenvolvido outros conceitos, como anomia, solidariedade mecânica e orgânica, etc. Se o crime “ofende certos sentimentos coletivos dotados de uma energia e de uma clareza particulares” (Durkheim, ibidem), a pena é a reação colectiva que, embora aparentemente voltada para o criminoso, visa na realidade reforçar a solidariedade social entre os demais membros da sociedade e, consequentemente, garantir a integração social (...) no momento em que alguém desobedece às normas sociais e ameaça a ordem social.
Mas o termo “controlo social” ficará estabelecido pela Sociologia norte-americana para integrar os mecanismos de cooperação e de coesão voluntária da sociedade (Rothman, ibidem). Guy Rocher engloba o conjunto das sanções positivas e negativas no conceito de controlo social, afirmando ser o mesmo “o conjunto das sanções positivas e negativas a que a sociedade recorre para assegurar a conformidade das condutas aos modelos estabelecidos”.
1. Explica porque não é óbvio se um dado comportamento seja padrão ou desviante em Sociologia, apesar de aos nossos olhos nos parecer uma classificação elementar.
2. Mostra com dois exemplos do teu quotidiano que “todos nós tanto desrespeitamos regras como as seguimos, assim como também todos somos criadores de regras”.
3. Relaciona a conformidade das mulheres com o papel que lhes foi atribuído pelo poder social dominante (masculino) com a sua literacia.
4. Mostra que indivíduos habitualmente conformistas, podem assumir comportamentos tidos por desviantes em situações extremas.
5. Justifica porque o código moral é aquele que mais frequentemente nos impõe normas de conduta, relativamente às sanções impostas pelos grupos.
6. Comenta a importância relativa dos grupos apresentados no controlo social em meios rurais relativamente aos centros urbanos.
7. Comenta a violência do controlo social em MATRIX.
8. Dá dois exemplos de:
a) Sanções físicas positivas;
b) Sanções físicas negativas;
c) Sanções económicas positivas;
d) Sanções económicas negativas;
e) Sanções religiosas positivas;
f) Sanções religiosas negativas;
g) Sanções formais;
h) Sanções informais.
9. Retomando a expressão de Bertolt Brecht, discute (mínimo de 50 palavras) se te parece relativamente mais simples lutar pela definição do seu próprio estilo de vida ou aceitar um estilo de vida semelhante ao comum na sua cultura.
Bibliografia
GIDDENS, Anthony, (2000), Sociologia, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
LAKATOS, Eva Maria, (1995), Sociologia Geral, Dinalivro, Lisboa.
01/03/2012
Papel social e Estatuto social em acção
- Os alunos não estão “naturalmente” dispostos a fazer o papel de aluno. Dito de outra forma, para começar, a situação escolar é definida pelos alunos como uma situação, não de hostilidade, mas de resistência ao professor. Isto significa que eles não escutam e nem trabalham espontaneamente, eles se aborrecem ou fazem outra coisa. Lá, na primeira aula, os alunos me testaram, eles queriam saber o que eu valia. Começaram então a conversar, a rir (...) É extremamente cansativo dar aula já que é necessário a toda hora dar tarefas, seduzir, ameaçar, falar (...) Por exemplo, quando a gente fala “peguem os vossos cadernos”, são cinco minutos de bagunças porque eles vão deixar cair suas pastas, alguns terão esquecido seus cadernos, outros não terão lápis. Aprendi que para uma aula que dura uma hora, só se aproveitam uns vinte minutos, o resto do tempo serve para “botar ordem”, para dar orientações. (...) Talvez eu pudesse dizer que sentia dificuldade [em ensinar sem stress] porque meu status social (estatuto social) me permitia dizê-lo sem ter o sentimento de vergonha. Pode ser mais duro para um professor iniciante. (...) Mas numa sala de professores, nunca se fala disso, todo mundo parece ser um bom professor. Mesmo que a gente visse colegas chorando, ou outros que nunca vinham, que passavam pelo corredor.
Entrevista a François Dubet, sociólogo francês
- (...) o bom aluno foi definido fundamentalmente como sendo portador em primeiro lugar de um conjunto de qualidades morais necessárias à vida escolar e secundariamente pelas suas qualidades intelectuais. São as qualidades morais, a atitude do aluno face ao trabalho escolar e aos professores que segundo estes determinam a sua adaptação escolar, num quadro de passividade e conformismo e são também elas que consequentemente facilitam ao professor o exercício da sua autoridade. Em contrapartida o mau aluno é definido pelo seu desinteresse escolar, inaptidão intelectuaI e indisciplina, qualidades que se oferecem como o reverso da medalha do bom aluno.
Resumindo, «com boa vontade e muita atenção toda a criança se pode tornar um bom aluno».
Mollo, S., (1979), A escola na sociedade, Edições 70, Lisboa.
Pensando no conjunto da sociedade poderemos redefinir estatuto social como o conjunto de posições relativas a um indivíduo, correspondente à multiplicidade de papéis que desempenha. Podemos ser simultaneamente, homens, professores do ensino secundário, estudantes em regime de e-learning, filhos, parceiros, eleitores, sócios do Benfica, etc. Cada posição representa os seus níveis de prestígio e de poder, envolvendo compensações diferentes.
Os grupos privilegiados em termos de status incluem pessoas com grande prestígio na ordem social: bispos e juízes, por exemplo, na ordem social portuguesa. Os grupos sociais são conjuntos de indivíduos que interagem de modo sistemático uns com os outros. Podem ir de associações muito pequenas a organizações em grande escala ou sociedades. Independentemente do seu tamanho, uma das características de um grupo é a de os seus membros terem consciência de uma identidade comum. Grande parte da vida é passada em actividades de grupo; nas sociedades modernas, a maioria das pessoas pertence a diferentes e numerosos tipos de grupo (veja a Classificação de Georges GURVITCH).
Vivemos numa sociedade onde os recursos económicos, culturais, sociais e simbólicos se encontram inequitativamente distribuídos. Os atributos impostos ao indivíduo pela natureza definem o respectivo estatuto atribuído (homem, português, branco, etc.). A escola é o agente de socialização por excelência destinado aos inconformistas, que investindo no seu futuro, poderão ocupar posições melhor remuneradas. Para o exercício de uma profissão especializada será necessário adquirir uma preparação específica previamente. Ao desempenho desses papéis, consequência de sucessivas acções desenvolvidas pelos indivíduos corresponde o estatuto adquirido (professor, parceiro, etc.).
Os indivíduos adquirem durante a socialização primária a cultura do seu grupo social através da família. Os inconformistas tentarão socializar-se de forma autónoma em culturas socialmente mais valorizadas que as dos seus grupos de pertença. Encontram-se mobilizados para adquirir a cultura do grupo em que pretendem integrar-se, designado grupo de referência (vg., querer ser médico). O indivíduo que aspira a ser médico adoptará estilos de vida, padrões de linguagem e comportamentos caracterizadores do respectivo grupo de referência. Provavelmente os seus amigos não irão gostar que ele fale tão frequentemente de doenças e descreva a respectiva sintomatologia. Este processo de adopção dos padrões de comportamento de um grupo de referência designa-se socialização por antecipação. Atrás utilizou-se o termo auto-socialização com o mesmo significado, embora os sociólogos não gostem desta expressão, porque enfatiza o lado autónomo e individual dos processos de socialização.
Recursos
- As representações sociais do Bom Aluno, Capitulo 8 do livro Ser Bom Aluno, ‘Bora Lá?
- PERRENOUD, Philippe, Ofício de aluno e sentido do trabalho escolar
- Representações do Bom Professor
- Expectativas do Bom Professor
- Entrevista a François Dubet, sociólogo francês
- Regulamento Interno da Escola * Backup
- Estatuto social dos professores em Portugal entre os mais baixos do mundo
1. "Identificar o aluno com o aprendente é impedi-lo de pensar o papel que os adultos lhe atribuem e o modo como o estudante vive esse papel; é esquecer que o "ofício" de aluno é consignado às crianças e aos adolescentes como um ofício "estatutário", do mesmo modo que um adulto é mobilizado pelo Estado para se apresentar perante o júri, ou para ingressar no exército. Juridicamente, o trabalho escolar está mais próximo dos trabalhos forçados que de uma profissão livremente escolhida. Uma fracção dos alunos faz da necessidade virtude e realiza, sem dificuldade, o seu percurso escolar; outros resistem abertamente e desencadeiam a fúria dos que lhe "querem bem"; outros, ainda, fingem aderir às regras do jogo".
Philippe Perrenoud, Ofício de aluno e sentido do trabalho escolar
a) Confirma a tese do ofício "estatutário" de aluno consultando os artº 90º e 91º (p. 55) do Regulamento Interno. * Backup
b) Explica porque uma fracção dos jovens “fingem aderir às regras do jogo”, utilizando a metáfora do ofício e os conceitos sociológicos apropriados.
c) Identifica três grupos sociais no texto e classifica-os quanto ao conteúdo, amplitude e duração utilizando a classificação de GURVITCH.
2. No início da entrevista de François Dubet (primeiras 5 linhas) este sociólogo francês refere como motivo para ter experimentado ser professor, a sua desconfiança relativamente a “um tipo de encenação um pouco dramática” que os professores fazem do seu trabalho.
Comenta esta encenação utilizando conceitos sociológicos.
3. "No final das contas, achei que a descrição que os professores entrevistados faziam na pesquisa era bastante correcta. Realmente, a relação escolar é a priori desregulada. Cada vez que se entra na sala, é preciso reconstruir a relação: com este tipo de alunos, ela nunca se torna rotina. É cansativa, cada vez, é preciso lembrar as regras do jogo; cada vez, é preciso reinteressá-los, cada vez, é preciso ameaçar, cada vez, é preciso recompensar (...)"
Entrevista de François Dubet (pouco antes do meio)
Comenta a multiplicidade de papéis desempenhados por Dubet (investigador e professor) do ponto de vista:
a) do necessário distanciamento que a Sociologia exige ao investigador;
b) da necessidade que o investigador tem de compreensão da realidade para melhor a explicar.
4. "Talvez eu pudesse dizer que sentia dificuldade [em ensinar sem stress] porque meu status social me permitia dizê-lo sem ter o sentimento de vergonha. Pode ser mais duro para um professor iniciante".
Entrevista de François Dubet
Explicita o conceito de estatuto adquirido, comentando Dubet.
*5. O estatuto social codifica padrões de comportamento.
a) Indica cinco padrões de comportamento associados aos bons alunos, partindo da amostra do livro Ser Bom Aluno, ‘Bora Lá?
b) Indica cinco comportamentos esperados de um bom professor, utilizando os testemunhos recolhidos por FELOUZIS.
*6. Distingue as representações sociais do bom professor das expectativas do bom professor.
7. "(...) os professores mais eficientes são em geral aqueles que acreditam que os alunos podem progredir, aqueles que têm confiança nos alunos. Os mais eficientes são também professores que vêem os alunos como eles são e não como eles deveriam ser".
Final da Entrevista de François Dubet
Relacionando a argumentação de Dubet com a de Mollo, a socialização por antecipação será uma (1) decisão individual ou uma (2) resultante da interacção social? Justifica.
(*)NOTA: Esta questão é particularmente útil para explicitar melhor os objectivos do Trabalho Anual.
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