09/02/2012

É preciso estudar!

  • "É preciso aprender. É preciso estudar! Quem não sabe ler, é como um ceguinho que não percebe por onde vai e caminha sem bordão [...] Acreditai-me: as vinte e cinco letras do alfabeto são um rosário de luz. Se ele faltasse de repente à Humanidade, ficaríamos tão cheios de sombra, tão cheios de frio, tão cheios de incerteza, como se no céu azul houvesse morrido o Sol" (in República, 24 de Fevereiro de 1937).
Na representação liberal da instrução, através da leitura abre-se à criança o Mundo dos adultos:

A esta imagem liberal opôs o Estado Novo a doutrina cristã: «Mulheres, sede submissas a vossos maridos, como convém segundo o Senhor. Maridos, amai as vossas mulheres e não as trateis com aspereza. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. [...] Servos, obedecei em tudo a vossos senhores terrenos, não servindo só na presença, como quem busca agradar a homens, mas com sinceridade de coração, temendo a Deus.» (ibidem)

O Estado Novo sempre viu no processo de industrialização o perigo de criação de centros de contestação política, e por isso opôs-se à generalização da instrução, alegando que "a educação do povo representava um ideal utópico e demagógico que apenas dava uma ilusória elevação à massa ignara e inferior" (ibidem)

Como estudante de Sociologia tens o privilégio de observar distanciadamente que estas representações da instrução e da educação se reflectem em diferentes interpretações do Mundo, com consequências sobre as acções dos actores. Como sujeito produtor de cultura irás optar pela que mais te convém.

Como professor de Sociologia cumpre-me assinalar que não conheço outro processo de aprendizagem da Sociologia que não passe pela socialização com os sociólogos, evidenciada em referências nos trabalhos, que estes ainda não apresentam.

Note que a importância das referências foi referida num post recente, além de estar indicada na tarefa.

NOTA

Pontos da Matéria a ver para o teste:
Socialização
Cultura
Representações Sociais
Técnicas de Investigação
Etapas do Processo de Investigação

08/02/2012

Sociologia do Corpo - David Le Breton

Ficou disponível o livro Sociologia do Corpo, de  David Le Breton cuja leitura se recomenda como linha de pesquisa para todos os grupos de trabalho. É suposto que antes do primeiro teste todos terão ocasião de ler as pp. 30-38. para entender a utilidade do corpo enquanto ferramenta de objectivação das interacções sociais.

O ano passado ainda seleccionei as páginas indicadas para cada grupo, mas este ano gostaria de deixar essa selecção por vossa conta.


Páginas da obra indicadas o no passado, especificamente para cada grupo:

O Grupo que está a trabalhar sobre o estigma têm interesse particular em ler o corpo deficiente, pp. 73-76.

O Grupo que está a trabalhar sobre o racismo têm interesse particular em ler o corpo imaginário do racismo, pp. 72-73.

Os Grupos que estão a trabalhar sobre o amor romântico e o papel da mulher têm interesse particular em ler diferença entre sexos, pp. 65-69.

O Grupo que está a trabalhar a Justiça poderá observar o corpo como suporte de valores, pp.69-72. Para o Grupo do Corpo esta será a obra de referência, pelo que não se seleccionaram páginas.

01/02/2012

A importância de bem referenciar o trabalho

O processo de investigação científica em ciências sociais é exigente, e não se espera que os alunos ou professores do ensino secundário contribuam significativamente para o seu desenvolvimento.

A proposta de realização de trabalhos de investigação no 12º ano surge visando:
- aprender a gostar de Sociologia, ou seja, iniciar-se na aprendizagem do pensar sociológico;
- treinar a problematização e a crítica da sociedade que nos rodeia;
- conscencializar-se da necessidade de rigor científico que encaminha para a (re)construção das sociedades;
- experimentar a aplicação da pedagogia de projecto a um ou dois casos específicos.

Portanto os alunos são convidados a construir o pensamento sociológico, não sendo obrigados a conhecer a enorme diversidade de autores na área, mas deverão treinar a problematização e a crítica da sociedade e conscencializar-se da necessidade de rigor científico. Ora para problematizar e criticar a sociedade não adianta promover debates na aula, onde quando muito se assistiria a um mero confronto das representações de cada um. Estudar Sociologia significa ter a humildade de ler os que já escreveram sobre os temas que nos interessam, destacando os autores mais credenciados. Podemos dispensar a consulta do citation índex, utilizando simplesmente com maior frequência os sites institucionais das faculdades que leccionam Sociologia, as suas revistas e/ou publicações, bem como a restante informação disponibilizada por diversas organizações ou eventos onde trabalham sociólogos.

Ler o que os outros escreveram é ter humildade para não querer inventar a roda.

Atribuir aos outros o que os outros escreveram é participar no processo de problematização e crítica da sociedade, oferecendo aos nossos leitores pistas para seguirem e refazerem a sua leitura dos nossos textos. Para que as referências possam ser facilmente seguidas já se indicou num post anterior, que além de toda a bibliografia utilizada ser indicada no final do trabalho, ao longo do texto também deverá ser utilizado o sistema “autor-data” ao longo dos textos.

Citar não diminui os trabalhos, pelo contrário acrescenta-lhes valor na medida em que revela trabalho de pesquisa e reconstrução.

São de todo indesejáveis situações como a ilustrada abaixo, porque o trabalho apresentado revela blocos de texto provenientes de sites não referenciados. Ou seja, foi apresentado como legítimo, trabalho que não o é porque resultou de mero copy/paste.

Trabalho apresentado
A educação formal pode ser resumida como aquela que está presente no ensino escolar institucionalizado, cronologicamente gradual e hierarquicamente estruturado, tem objectivos claros e específicos e é representada principalmente pelas escolas e universidades. A educação informal é o que qualquer pessoa adquire e acumula conhecimentos, através de experiência diária em casa, no trabalho e no lazer.

Site não referenciado
http://animarparaeducar.blogspot.com/2007/03/educao-formal-no-formal-e-informal.html
A educação formal pode ser resumida como aquela que está presente no ensino escolar institucionalizado, cronologicamente gradual e hierarquicamente estruturado, (…) A educação formal tem objectivos claros e específicos e é representada principalmente pelas escolas e universidades. a informal como aquela na qual qualquer pessoa adquire e acumula conhecimentos, através de experiência diária em casa, no trabalho e no lazer.

Amostra do Relatório EPHORUS

Se depois de cada bloco de texto indicar a respectiva referência, nunca poderá ser acusado de plágio.

Recorde-se de que “Copiar de uma pessoa é plágio. Copiar de várias é... pesquisa”. Blogue de Apoio ao Economia X

26/01/2012

Cultura

“Quando em conversas quotidianas, usamos a palavra “cultura”, pensamos frequentemente nela como se representasse as “coisas mais elevadas do espírito” – a arte, a literatura, a música e a pintura” (Giddens). O conceito sociológico de cultura engloba muito mais actividades identificando os modos de vida dos membros de uma sociedade ou de grupos pertencentes à mesma: como se alimentam, como se vestem, como namoram, casam e se reproduzem, os seus padrões de trabalho, as cerimónias religiosas em que participam, as actividades de lazer que “escolhem”.
  • “(...) acho que é natural elas brincarem só com coisas de raparigas, que assim, quando forem grandes, tornam-se mais senhoras, para não serem assim daquelas… tipo Maria-rapaz.” (sexo masculino, PBE)
    “Mas às vezes, há aquelas mulheres que o homem está a trabalhar, vem estafado… para pagar as contas todas da casa (...) e as mulheres nem arrumam nem nada” (sexo feminino, PBE)
    http://www.aps.pt/vicongresso/pdfs/196.pdf
Utilizamos estes dois extractos para sublinhar que os elementos culturais se distinguem dos inatos, porque são aprendidos ao longo da socialização. Um piscar espontâneo dos olhos, ou retirar bruscamente os dedos de uma porta, na eminência de ficar entalado, são actos reflexos, aptidões inatas destinadas a assegurar a nossa sobrevivência. Mas a distribuição das tarefas domésticas foi aprendida, tendo um carácter contextual e não universalista (local) nem normativo ou hierárquico. Na nossa perspectiva, parece-nos que em todas as culturas as tarefas domésticas foram predominantemente atribuídas às mulheres, mas antes de o afirmar categoricamente seria necessário fazer uma investigação a nível planetário, para não sermos levados pelo etnocentrismo, tendência que leva cada indivíduo a sobrevalorizar a sua cultura.

Se considerarmos a diversidade cultural observaremos facilmente que muitas das nossas “escolhas” se encontram culturalmente determinadas, isto é, fazemos/gostamos daquilo de aprendemos a fazer/gostar. Por exemplo, no Ocidente a matança de recém-nascidos e bebés é considerada um crime horrendo, enquanto na cultura tradicional chinesa as crianças de sexo feminino eram frequentemente estranguladas à nascença. Comemos ostras, mas não gatinhos e cachorros como os chineses. Os Judeus não comem carne de porco, enquanto os Hindus embora comam porco, evitam carne de vaca. Consideramos o beijar como parte natural do comportamento sexual, mas o acto é desconhecido ou considerado de mau-gosto em muitas outras culturas (Giddens).

A cultura entendida como uma unidade e visão do mundo, apresenta determinados traços culturais: estes são os elementos que permitem descrever uma cultura, identificando os elementos culturais significativos: padrões de comportamento e padrões materiais.

Todas as culturas têm os seus próprios padrões de comportamento, que parecem estranhos às pessoas de outros contextos culturais. Não é excepção a esta regra a cultura ocidental. Leia-se um chefe polinésio que descreve o “homem branco”, em Papalagui:
  • O Papalagui está sempre preocupado em cobrir bem a sua carne. (...) O Papalagui mora como o marisco numa casca dura, e vive no meio de pedras, tal como a escalopendra (espécie de centopeia), entre fendas de lava, com pedras em volta, dos lados e por cima. A cabana em que mora parece-se com um baú de pedra em pé, com muitos compartimentos e furos. (…) Quase todas as cabanas são habitadas por mais gente do que as que moram numa só aldeia samoana; por isto, tem que saber exactamente o nome da aiga (família) que se quer visitar. O Papalagui
Distinguem-se dois tipos de elementos culturais:
Os valores, as normas, os padrões de comportamento, as atitudes, a linguagem, os ideais, as formas de comunicação, as festas e rituais, a poesia, a música, o folclore, as crenças, a religião, a literatura, pintura, etc. constituem os elementos espirituais (ou não materiais) da cultura.
Objectos como jóias, automóveis, computadores, apartamentos, ferramentas de trabalho, bens alimentares, vestuário, etc. são elementos materiais da cultura.
Estes elementos combinam-se, por exemplo, na Análise e Avaliação de Recursos Educativos online.

O vídeo abaixo explicita o conceito de relativismo cultural (03:38).


Hoje é muito fácil encontrarmos na escola ou na rua um grande número de grupos de diferentes origens culturais, étnicas ou linguísticas porque o multiculturalismo (ou diversidade cultural) é um facto. Apesar das referências frequentes ao Brasil, Portugal é exemplar a este nível, visto que “Não se conhecem outros casos de um tão grande número de pessoas se ter misturado tão rapidamente e sem conflito” (25:50).



Designamos por xenofobia um estado de receio, aversão ou hostilidade desenvolvido relativamente ao estrangeiro. O racismo provém do preconceito a partir das diferenças de fenótipo que se manifesta em juízos de inferioridade ou de superioridade de uns em relação a outros.

Para Durkheim nenhuma sociedade pode constituir-se sem criar um ideal, porque “a moralidade constitui um domínio de compreensões e juízos distintos de outras normas e valores sociais. A moralidade humana nuclear é uma preocupação com a justiça e o bem-estar humanos, e essa preocupação precede e deve fundamentar a moral prescritiva”.

“Individual e socialmente, nada é mais mobilizador do que os valores. São eles que nos motivam e, seja qual for a designação que lhes atribuímos, conferem sentido ao que fazemos, porque acreditamos neles. Deste modo, é através dos valores, que nos movem, que somos capazes de nos empenhar por uma causa, procurando atingir objectivos mais elevados como, por exemplo, a Justiça, a Verdade, o Bem, o Amor, ou mesmo o Interesse bem orientado” (Thomas, L-V, 1993).

Como concepções gerais do bem compartilhadas na cultura, os valores comuns dão origem a sentimentos de solidariedade e unidade, e determinam as acções e atitudes dos indivíduos.

  • Por exemplo, no campo da sexualidade, os pais consideram as relações pré-matrimoniais perigosas e repreensíveis no caso das raparigas, mas sem gravidade e por vezes útil no caso dos rapazes. Do ponto de vista dos jovens as relações pré-matrimoniais são sempre sem gravidade e por vezes úteis, independentemente do género.

    Pais e filhos dão uma grande atenção à auto-imagem pela importância que atribuem aos valores instrumentais “Honesto”, “Responsável”, “Capaz” e ao valor final “Dignidade”. Todavia, “Dignidade” e “Felicidade” estando tão próximos de “Harmonia Interior” para os filhos e de “Segurança Familiar” para os progenitores, já revelaram preferências por valores finais, dando indicações de caminhos diferentes para os alcançar.

    Nos valores finais, os jovens manifestam, na globalidade das respostas, dar uma maior importância aos valores íntimos estritamente pessoais (“Harmonia Interior”, “Liberdade”, “Sentido de Realização”, “Vida Apaixonada”) seguidos de valores relacionais, em detrimento de valores mais sociais que são privilegiados pelos progenitores (“Segurança Familiar”, “Mundo de Paz” e “Igualdade”)
    FIGUEIREDO, Eurico, (1988), Conflito de Gerações, Conflito de Valores
O casamento assenta na ideia do amor romântico. O individualismo afectivo tornou-se a influência predominante. Espera-se que os casais nutram um carinho mútuo, baseado na atracção pessoal e na compatibilidade, e que tal seja a razão por que as pessoas se casam. O amor romântico como parte do casamento tornou-se algo de “natural” no Ocidente; parece ser uma parte normal da existência humana, e não um aspecto específico da cultura moderna. Naturalmente, a realidade é diferente da ideologia. A ênfase dada à satisfação pessoal no casamento criou expectativas que, por vezes, não podem ser concretizadas, e este é um dos factores envolvidos no aumento das taxas de divórcio (Giddens).

Amar e “ter uma família”, trabalhar e “ter um emprego” constituem as preocupações principais, para não dizer exclusivas, dos nossos contemporâneos. Estes dois traços serão suficientes para caracterizar a cultura ocidental? (Dubar)
As ferramentas nobres em Portugal são um telemóvel para controlar o par e um automóvel para adquirir a liberdade.

Nos telemóveis só somos batidos por finlandeses e austríacos.

O número de automóveis (por 1.000 habitantes) é igualmente dos maiores da União Europeia, onde apenas somos batidos por Itália!

Tu és produto desta cultura, mas tens todas as peças para participar como produtor de uma sociedade mais justa, onde seja mais interessante viver.
Promete muito uma juventude que considera decisivo para o seu futuro adquirir educação/formação com experiências internacionais.

Fonte: Sondagem GFK/Deloitte


Recursos



Links para explorar a diversidade cultural

Narrativa de cinco raparigas estrangeiras a viver em Portugal
Dicas para comunicar com consciência cultural (em inglês)
EUA vs Europa
Ocidente vs Oriente
Itália vs Europa
How Do Kissing, Snoring And Other Things Sound In Different Languages?
Crianças falam o que pensam sobre Religião

Tarefas

1. Post genérico sobre o conceito sociológico de cultura com pelo menos 1000 palavras, explorando os recursos/links apresentados neste post. Deverão ser referidas todas as expressões destacadas a negrito. Indique no final as referências utilizadas, dando preferência aos trabalhos de sociólogos. (Como avaliar a informação? – Critérios da B-ON)

2. Post específico que reflicta a importância de conhecer a cultura da sociedade portuguesa para a compreensão do seu tema anual. Este post deverá ter no mínimo 500 palavras valorizando-se igualmente as referências.

3. Utilizando o POP, analisa os Valores em Portugal comparativamente com outros países europeus (sugestão: Portugal, Espanha, Grécia, Alemanha e Reino Unido), comentando no mínimo três indicadores em quatro temas.

Referências

http://books.google.pt/books?id=B2Jjs0WUBFYC&lpg=PP1&hl=pt-PT&pg=PA23#v=onepage&q&f=false
http://youtu.be/r8Eb5ZbbluA
http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1228400133Z5jYV2yd3Yf59ND2.pdf
https://sites.google.com/site/moralevalores/resenha-durkheim
http://www.aps.pt/cms/docs_prv/docs/DPR4628ca54ad664_1.pdf
DUBAR, Claude, (2006), A Crise das Identidades – A Interpretação de uma Mutação
FIGUEIREDO, Eurico, (1988), Conflito de Gerações, Conflito de Valores
GIDDENS, Anthony, (2000), Sociologia

23/01/2012

Socialização – Pistas de reflexão

Seguem-se possíveis pistas de reflexão para os grupos, que poderão seguir outras linhas de pensamento.

Amor Romântico

Aprendemos a esperar que os parceiros sintam entre si atracção psicológica e física, que sejam compatíveis e comecem a construir uma história comum. Provavelmente os filhos serão as “fundações” desse futuro comum. Mas deu-se uma importância tal à satisfação pessoal no casamento, que os valores individualistas podem levar facilmente ao divórcio… Será por a esperança no amor que as pessoas vão vivendo sucessivas experiências?

Corpo

O corpo como elemento isolado da pessoa nem existe. Só é possível concebê-lo como elemento isolável em sociedades de tipo individualista onde o corpo assinala a fronteira viva, em relação aos outros, da soberania da pessoa. O padrão 86-60-86 já não é hoje uma referência universal na sociedade ocidental (ver plus size models). Estarão hoje as jovens mais conscientes da sua liberdade ou conformaram-se ao fast-food e ao sedentarismo?

Justiça Social

As tecnologias permitem uma produtividade crescente, mas grande parte da população queixa-se de falta de recursos agravada pela austeridade. Realmente há cada vez mais riqueza, mas desde 1975 esta tem ficado cada vez pior distribuída, e encontramo-nos hoje pior que durante o Estado Novo. As políticas ultimamente prosseguidas e anunciadas só podem contribuir para uma repartição do rendimento ainda mais injusta. Podemos documentar isto estatisticamente com facilidade. E as pessoas comuns, têm tempo/paciência/conhecimento ao longo das suas vidas para se aperceberem do agravamento desta disparidade?

Papel da Mulher

As Taxas de Actividade em Portugal são superiores às da UE, porque os salários são mais baixos. Mas provavelmente também somos um povo individualista, e mesmo tendo a hipótese de não trabalhar, aprendemos que o emprego garante determinada independência. Quantas mulheres (quantos homens) estariam hoje dispostos a abdicar do emprego pela família?

Preconceito

Ao longo do processo de socialização as vítimas de estigmas (acabam por ser vítimas de preconceitos) aprendem estratégias de sobrevivência interessantes. Em que medida conseguem fazer uma vida normal? Proponho mudança para este tema porque encontrei na Internet o livro ESTIGMA, de Erving Goffman, clássico de Sociologia que poderá ser a vossa bibliografia.

Preconceito Racial

A sociedade portuguesa é tolerante e não se têm visto grandes manifestações racistas porque os portugueses não têm empregos bem remunerados para perder. Vivemos numa situação de crise que irá prolongar (referida em Justiça Social), em que o problema passará a ser manter um qualquer emprego. Será o processo se socialização suficiente para assegurar a brandura de costumes dos lusitanos?

Gráfico das Taxas de Actividade em Portugal e na UE

Fazer um Gráfico no PORDATA

03/01/2012

Processo de Socialização

Socialização é o processo através do qual o indivíduo aprende e interioriza o sistema de valores, de normas e comportamentos de uma determinada cultura, onde intervém um conjunto de agentes de socialização (família, escola, grupo de pares, meios de comunicação, empresa, etc.). A criança quando nasce, apesar de já trazer os genes necessários ao ser humano, é um ser culturalmente em branco.

Encontram-se documentados alguns casos de crianças selvagens que permitem concluir que temos uma predisposição genética para a aprendizagem da primeira língua durante a infância. Passada essa fase podes conferir no YouTube que as "crianças selvagens" foram incapazes de adquirir competências linguísticas.


Genie - A "experiência proibida"

É a socialização que humaniza o ser humano.

O termo socialização pode ser confundido com o conceito de educação. O termo educação abrange um universo que extrapola o escolar. A Escola proporciona-nos uma educação formal, organizada numa sequência pré-estabelecida, enquanto a educação informal abrange todas as possibilidades educativas no decurso das nossas vidas, constituindo um processo permanente e não organizado.

A fase inicial do processo de socialização designa-se por socialização primária e ocorre dentro de casa e com a importante participação dos outros significativos, designadamente dos pais. A socialização primária termina quando o outro generalizado está estabelecido na consciência da criança, ou seja, a criança é capaz de abstrair papéis das atitudes dos outros significativos. A fase seguinte designa-se socialização secundária, e prolonga-se durante toda a nossa vida.

Distinguem-se entre os mecanismos de socialização: a aprendizagem, a imitação e a identificação.


APRENDIZAGEM - A aprendizagem implica um comportamento activo do sujeito: "A leitura passiva dos apontamentos ou do livro não é garantia de que se está a aprender qualquer coisa. A aprendizagem exige atenção e repetição do que está a aprender-se; significa recordar informações relevantes, captar princípios, memorizar os factos-chaves, fazer perguntas e responder-lhes, em suma, estudar" , H. Kendler,ob.cit, Vol.I,p.589.
A socialização cria rotinas na criança, que a ensinam a alimentar-se, a dormir, a ler, a escrever, a pensar... “A aprendizagem pressupõe a interiorização de determinadas reacções perante as situações sociais” (Manual, p. 77)

IMITAÇÃO - A criança é elogiada por ter reproduzido um comportamento correcto e desejado. A imitação de um adulto também pode ser estimulada se a criança observar que é elogiada por se ter comportado de determinada forma.

IDENTIFICAÇÃO – “A criança identifica-se com as pessoas que desempenham determinados papéis na sua vida e essa identificação faz com que adquira progressivamente os comportamentos inerentes a esses mesmos papéis” (Manual, p. 77)



Através de sanções positivas e negativas na (não) adopção dos comportamentos apropriados ao seu sexo biológico, e a partir da identificação com os pais, professores e amigos do mesmo sexo, as crianças vão assimilando quais os tipos de atitudes e actividades que deverão adoptar para interagirem de acordo com o seu sexo, no fundo, para assumirem papéis de género adequados. As crianças assumem aqui um papel relativamente passivo no processo de aprendizagem. http://www.aps.pt/vicongresso/pdfs/136.pdf

Observe como a criança é moldada pelos outros significativos, mas nem sempre é fácil distinguir os mecanismos de socialização:

Depois do papel imprescindível da família, surge a escola como o agente oficial de socialização. No espaço da União Europeia, o desenvolvimento de políticas comuns levou a que a de uma criança que entre hoje para escola se espere que ela conclua 16 anos de escolaridade (12º ano + 4) na generalidade dos países da UE.


Número de anos de escolaridade que uma criança na idade de entrar para a escola pode esperar receber se os padrões vigentes de taxas específicas por idade de inscrição persistirem ao longo da vida da criança, UNESCO.

A eficácia do processo de socialização traduz-se nos países da União Europeia, em Hong-Kong, na Noruega e na Austrália num elevado desenvolvimento humano (medido pelo IDH, do PNUD) e numa reduzidíssima violência (~1 homicídio por cada 100.000 pessoas). Veja-se Gráfico no Gapminder (Não se encontram seleccionados os países indicados, mas facilmente os descobrirá)

A socialização entendida como uma série de processos abertos em todas as idades, por meio dos quais os indivíduos formam “tensões activas” com o seu ambiente, ocorre de forma não-planeada e não previsível. Abrange tanto o carácter reprodutivo como o criativo do agir social, porque se constitui de interacções e são elas, e não apenas o ser individual, que definem o indivíduo (GRIGOROWITSCHS, Tamara). A Sociologia clássica enfatiza a importância do carácter reprodutivo da socialização, porém hoje – dada a importância da Escola e dos media digitais - parece inegável a crescente importância dos elementos criativos. O conceito de auto-socialização, enfatiza o papel dos indivíduos, pois estes são capazes de reflectir sobre si mesmos, perspectivar uma visão do seu futuro, definir objectivos a alcançar e tomar medidas que criam ou alteram a sua trajectória de desenvolvimento (Newman PR, Newman BM). A importância adquirida por estes agentes de socialização permite mesmo encontrar referências à retrossocialização (Ponte, Cristina), como situação em que os filhos que ensinam pais e avós.

Outros recursos



Artigos
Sexualidade e gravidez na adolescência - Um estudo de caso - O papel dos diversos agente de socialização durante a adolescência
Apresentação

PowerPoint
Imagens de ontem / Imagens de Hoje - As imagens registam e criticam a realidade. Através de uma viagem breve pela Internet é possível recolher algumas que nos mobilizem na análise crítica do processo de socialização.

Tarefas
  1. PowerPoint genérico sobre o processo de socialização com o mínimo de 15 slides. Deverão ser referidas todas as expressões destacadas neste post. O trabalho terá tanto mais valor quanto mais referências utilizar.
  2. PowerPoint específico sobre a utilidade do processo de socialização para a compreensão do seu tema anual. Este deverá ter um mínimo de 5 slides valorizando-se igualmente as referências.
  3. Post com links directos para os PowerPoints acima referidos e três gráficos comentados.


NOTAS
  1. O post sugere-lhe recursos, o que não significa que não possa utilizar o Google. Porém, deverá sempre avaliar criteriosamente a informação. (Sugestão: Critérios da B-ON)
  2. Nas referências bibliográficas deverá ser utilizado o sistema "autor-data" ao longo dos textos, e as referências deverão ser listadas no fim.
  3. Os PowerPoints ficarão arquivados no seu espaço na Internet. O blogue deverá apresentar um post com o título deste, no qual indicará o link directo para os respectivos ficheiros.

15/12/2011

PING - Poverty Is Not a Game

PING – A pobreza não é um jogo, mas tu podes instalar este no teu PC, para viver virtualmente em situações de pobreza. É uma espécie de 2nd Life dos pobres onde escolherás um avatar, Jim ou Sophia, para interagir com os outros. Diverte-te!