15/11/2011

Métodos de Investigação em Sociologia

  • Muni-vos daquilo que é indispensável e procedei como é preciso proceder, obtereis então aquilo que desejais obter. Não admitais nada que não seja verdadeiramente evidente (quer dizer, apenas aquilo que deveis admitir); dividi o assunto segundo as parte requeridas (quer dizer, fazei o que deveis fazer); procedei por ordem (quer dizer, a ordem pela qual deveis proceder); fazei enumerações completas (quer dizer, aquelas que deveis fazer): é exactamente assim que procedem as pessoas que dizem se preciso procurar o bem e evitar o mal. Tudo isto, está sem dúvida, certo. Simplesmente faltam os critérios do bem e do mal.
    Leibniz, citado por Pierre Bordieu, em “O Poder Simbólico”

Frequentemente distinguem-se o método intensivo, o método extensivo e o método experimental (manual, 45). Dada a improbabilidade de aplicação do método experimental em Ciências Sociais restam os dois primeiros.

O método intensivo acaba por ser equivalente de análise qualitativa, porque se estudam em profundidade poucas observações:

  • envolve a colecta e análise sistemática de materiais narrativos mais subjectivos;
  • trabalha com realidades não quantificáveis, não utilizando instrumentos formais e estruturados, podendo usar roteiros e perguntas abertas na colecta de informações;
  • é globalizante, procurando captar a situação ou o fenómeno em toda a sua extensão.

O método extensivo associa-se à análise quantitativa, uma vez que se observam amostras, ou até populações, numerosas com o objectivo de detectar regularidades na estrutura dos dados:

  • envolve a colecta sistemática de informação, mediante condições controladas e procedimentos estatísticos;
  • busca a quantificação, utilizando procedimentos estruturados e instrumentos formais para a colecta de informações;
  • procura estabelecer relações entre causas e efeitos.


Utiliza criticamente o link.
1. Apresenta as características da análise qualitativa.

2. Apresenta as características da análise quantitativa.

3. Verifique que neste estudo sobre Acidentes de Serviço em Profissionais de Saúde fez sentido combinar a análise qualitativa com a quantitativa.

4. Consultando o manual e opcionalmente a Internet (nesse caso, faz o respectivo link):
4.1. Indica as vantagens e desvantagens da análise qualitativa.

4.2. Indica as vantagens e desvantagens da análise quantitativa.

08/11/2011

Etnocentrismo e simplismo


"Puxem esses porcos! Têm que salvar os nossos bancos! Responsabilizem os preguiçosos gregos, irlandeses, portugueses, espanhóis e italianos” Cartaz em Berlim, 2011

Fonte: Mail em circulação na Internet.

02/11/2011

Das Representações Sociais aos Regimes de Justificação

Aqui se recorda o papel das representações sociais como matéria-prima da Sociologia para que os estudantes tenham presente que conversação vulgar não é Sociologia, mas que cabe a esta desvendar as lógicas de argumentação explícitas nas justificações apresentadas.

O esquema sintetiza o objecto da Sociologia, as tarefas do sociólogo e o paradigma da Sociologia, conjuntamente com o número de casos analisados, as técnicas de recolha de dados, os métodos de investigação e os seus objectivos.

Apresentam-se ainda em síntese os regimes de justificação.


Imagem em PDF

1. Verifique que o método dedutivo e método indutivo poderão ser considerados complementares.

2. Relacione o paradigma da Sociologia e as tarefas do sociólogo com o número de casos analisados.

26/10/2011

Representação social da educação aberta



Aberto significa generosidade, partilha, entrega (01:05)

Onde não há partilha não há Educação (02:58)

Educação é uma relação de partilha (03:13)

Educadores bem sucedidos partilham mais profundamente com a maioria dos estudantes (03:28)

O meio digital é muito diferente do mundo do papel. Se dermos um livro ficamos sem ele, mas indicando um endereço da Web, este pode ser consultado por milhares de pessoas ao mesmo tempo. É avanço indescritível, a primeira vez que sucede na história da humanidade. (04:49-05:46)

Podemos partilhar como nunca (06:04)

Podemos educar como nunca (06:12)

Em relação à imprensa, a Internet tem a vantagem de disponibilizar os conteúdos imediatamente e quase gratuitamente (07:00 – 07:27)

Alguém pode ser professor exigindo direitos de copyright sobre as notas das suas lições? (10:54 – 11:22)

Quanto mais abertos estamos, melhor será a educação (14:37)


Esta generosidade quebra os padrões sociais pelos quais a maior parte das vezes a sociedade o ensino se regulam. Há efectivamente uma tendência para o egoísmo. Quer os educadores, quer os estudantes apropriam-se da informação que transmitem e apreendem, respectivamente, e encerram-na numa espécie de masmorra, que poderá ser até os próprios confins da memória. Têm esperança que da comparação quantificada das suas memórias-depósitos com as dos colegas resulte uma classificação pessoal mais favorável.

O generoso deixa os recursos em rede, mas contando com outros que farão o mesmo simultaneamente, a rede acrescenta-lhe muitos outros recursos, e quanto mais extensa e com mais utilizadores vai sendo a Internet, à medida que se multiplicam os seus nós, a sua estratégia de partilha do conhecimento vai adquirindo novas razões para se justificar.

O vídeo abaixo ilustra a educação fechada.




1. Explicite por que razão os sociólogos denominam representações sociais, as ideias em confronto neste post: “educação aberta” e “educação fechada”.

2. Verifique que a identificação com diferentes representações da educação conduz os agentes a proporem diferentes metodologias para as práticas de ensino. Ilustre a sua resposta com exemplos.

3. Identifique obstáculos ao desenvolvimento de práticas educacionais abertas.

4. Como justificar a generosidade na educação, se noutros domínios da nossa vida funciona um paradigma predominantemente egoísta?

20/10/2011

Obstáculos Epistemológicos



1. Explicite cada um dos obstáculos epistemológicos e apresente alguns exemplos de cada um.


2. Mostre que para chegar ao conhecimento científico será absolutamente necessário afastar estes "conhecimentos" prévios.

Representação do nativo digital

Frequentemente, nas conversas do quotidiano os jovens surgem melhor qualificados para os meios digitais que os adultos. O sociólogo precisa de desconstruir as representações sociais para poder fazer ciência.

Marc Prensky construiu o conceito do nativo digital em oposição aos imigrantes digitais.

Um relatório (p. 42) recente da EU KIDS ONLINE afirma que a pretensa superioridade dos nativos digitais é um mito.


1. Comente o distanciamento entre as expectativas dos alunos e as exigências dos professores, utilizando as representações de "nativos" e de "imigrantes" digitais (Marc Prensky).

2. Observe como algumas das ideias que utilizou na questão anterior, não passam de mitos, segundo o Relatório da EU KIDS ONLINE. Refira alguns destes mitos.

3. Refira o papel da estatística na construção do conhecimento científico.

4. Verifique que as representações de "nativos" e de "imigrantes" digitais, apesar de poderem conduzir a alguns erros, têm interesse, particularmente porque ajudam a compreender a realidade e a formular hipóteses, a testar posteriomente.

NOTA: No caso de ter dificuldade a ler em inglês, em vez do Relatório acima referido, utilize o E-Genetation.

16/10/2011

Rankings de Escolas

Constroem-se estatísticas e ordenam-se as escolas com base nas classificações de exame dos estudantes. Constroem-se gráficos coloridos que castigam sempre o interior relativamente ao litoral. Aparecem sempre as mesmas escolas no início e no fim das listas. E se fosse possível durante um ano os alunos das piores escolas irem estudar nas melhores, enquanto os das melhores estudariam nas piores. Como seriam os rankings desse ano? Afinal o que medem os rankings de escola?

1. Considera a classificação de exame um indicador pobre do trabalho dos alunos?

2. Comente a relação entre as médias de exame e a geografia. O local onde as pessoas residem dependente do seu poder de compra, reflectindo-se nas classificações escolares (observe o mapa).

3. Comente a lógica implícita no cálculo das escolas com notas de curso e de exame mais coerentes ou mais divergentes http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2058683&page=-1

4. Cláudia Sarrico refere que origem socioeconómica tem um efeito mais severo a Matemática que em Português. Porque será?

5. Do ponto de vista de Cláudia Sarrico não faz sentido criar rankings com base nas notas dos exames. Tente explicar porque é que os jornais não seguem o conselho da especialista.

6. Refira efeitos perversos dos rankings de escolas.

7. Que interesse tem a imagem que só mostra as escolas do Concelho de Sintra?

8. Enquadre este tipo de análises nas perspectivas sociológicas estudadas.

Leitura aconselhada
"Um Olhar sobre os Rankings"
(...) considero que esse tipo de avaliação não tem muito valor, já que se insere numa actual tendência internacional de procurar medir tudo - os comportamentos humanos, as sociedades, os desempenhos -, mas à qual falta uma base científica sustentável.
Ler mais?

Um estudo em 8 escolas dos Açores: composição social e expectativas escolares