Aberto significa generosidade, partilha, entrega (01:05)
Onde não há partilha não há Educação (02:58)
Educação é uma relação de partilha (03:13)
Educadores bem sucedidos partilham mais profundamente com a maioria dos estudantes (03:28)
O meio digital é muito diferente do mundo do papel. Se dermos um livro ficamos sem ele, mas indicando um endereço da Web, este pode ser consultado por milhares de pessoas ao mesmo tempo. É avanço indescritível, a primeira vez que sucede na história da humanidade. (04:49-05:46)
Podemos partilhar como nunca (06:04)
Podemos educar como nunca (06:12)
Em relação à imprensa, a Internet tem a vantagem de disponibilizar os conteúdos imediatamente e quase gratuitamente (07:00 – 07:27)
Alguém pode ser professor exigindo direitos de copyright sobre as notas das suas lições? (10:54 – 11:22)
Quanto mais abertos estamos, melhor será a educação (14:37)
Esta generosidade quebra os padrões sociais pelos quais a maior parte das vezes a sociedade o ensino se regulam. Há efectivamente uma tendência para o egoísmo. Quer os educadores, quer os estudantes apropriam-se da informação que transmitem e apreendem, respectivamente, e encerram-na numa espécie de masmorra, que poderá ser até os próprios confins da memória. Têm esperança que da comparação quantificada das suas memórias-depósitos com as dos colegas resulte uma classificação pessoal mais favorável.
O generoso deixa os recursos em rede, mas contando com outros que farão o mesmo simultaneamente, a rede acrescenta-lhe muitos outros recursos, e quanto mais extensa e com mais utilizadores vai sendo a Internet, à medida que se multiplicam os seus nós, a sua estratégia de partilha do conhecimento vai adquirindo novas razões para se justificar.
O vídeo abaixo ilustra a educação fechada.
1. Explicite por que razão os sociólogos denominam representações sociais, as ideias em confronto neste post: “educação aberta” e “educação fechada”.
2. Verifique que a identificação com diferentes representações da educação conduz os agentes a proporem diferentes metodologias para as práticas de ensino. Ilustre a sua resposta com exemplos.
3. Identifique obstáculos ao desenvolvimento de práticas educacionais abertas.
4. Como justificar a generosidade na educação, se noutros domínios da nossa vida funciona um paradigma predominantemente egoísta?
Frequentemente, nas conversas do quotidiano os jovens surgem melhor qualificados para os meios digitais que os adultos. O sociólogo precisa de desconstruir as representações sociais para poder fazer ciência.
Um relatório (p. 42) recente da EU KIDS ONLINE afirma que a pretensa superioridade dos nativos digitais é um mito.
1. Comente o distanciamento entre as expectativas dos alunos e as exigências dos professores, utilizando as representações de "nativos" e de "imigrantes" digitais (Marc Prensky).
2. Observe como algumas das ideias que utilizou na questão anterior, não passam de mitos, segundo o Relatório da EU KIDS ONLINE. Refiraalguns destes mitos.
3. Refira o papel da estatística na construção do conhecimento científico.
4. Verifique que as representações de "nativos" e de "imigrantes" digitais, apesar de poderem conduzir a alguns erros, têm interesse, particularmente porque ajudam a compreender a realidade e a formular hipóteses, a testar posteriomente.
NOTA: No caso de ter dificuldade a ler em inglês, em vez do Relatório acima referido, utilize o E-Genetation.
Constroem-se estatísticas e ordenam-se as escolas com base nas classificações de exame dos estudantes. Constroem-se gráficos coloridos que castigam sempre o interior relativamente ao litoral. Aparecem sempre as mesmas escolas no início e no fim das listas. E se fosse possível durante um ano os alunos das piores escolas irem estudar nas melhores, enquanto os das melhores estudariam nas piores. Como seriam os rankings desse ano? Afinal o que medem os rankings de escola?
1. Considera a classificação de exame um indicador pobre do trabalho dos alunos?
2. Comente a relação entre as médias de exame e a geografia. O local onde as pessoas residem dependente do seu poder de compra, reflectindo-se nas classificações escolares (observe o mapa).
4. Cláudia Sarrico refere que origem socioeconómica tem um efeito mais severo a Matemática que em Português. Porque será?
5. Do ponto de vista de Cláudia Sarrico não faz sentido criar rankings com base nas notas dos exames. Tente explicar porque é que os jornais não seguem o conselho da especialista.
6. Refira efeitos perversos dos rankings de escolas.
7. Que interesse tem a imagem que só mostra as escolas do Concelho de Sintra?
8. Enquadre este tipo de análises nas perspectivas sociológicas estudadas.
Leitura aconselhada
"Um Olhar sobre os Rankings"
(...) considero que esse tipo de avaliação não tem muito valor, já que se insere numa actual tendência internacional de procurar medir tudo - os comportamentos humanos, as sociedades, os desempenhos -, mas à qual falta uma base científica sustentável. Ler mais?
Na perspectiva positivista, com Durkheim os factos sociais são coisas, isto é, são fenómenos em si mesmos, desligados dos sujeitos conscientes que deles têm apenas representações. Porém para Weber o sentido da acção é indispensável para compreender e explicar os fenómenos sociais, na sociologia compreensiva.
Estas duas perspectivas da Sociologia nos melhores trabalhos empíricos acabam por se revelar complementares.
Num estudo onde o número de casos seja muito reduzido, pode nem fazer sentido a construção de indicadores estatísticos, e o investigador estará condenado a tentar interpretar o significado dos escassos casos que observou, prevalecendo a sociologia compreensiva, por impossibilidade de outro tipo de análise.
Quando dispomos de dados empíricos referentes a amostras grandes, a forma prática de os interpretar passa pela construção de quadros e de gráficos que sintetizem a respectiva informação. Na sua interpretação procuramos identificar as regularidades dos fenómenos sociais, aproximando-nos da perspectiva positivista.
Os melhores estudos conjugam o positivismo com a sociologia compreensiva, pois além de disporem de dados referentes a amplas amostras que condensam em tabelas e gráficos, e também destacam expressões significativas ditas pelos inquiridos, como se pode observar no relatório da EU KIDS ONLINE.
Outro exemplo. Imagina que se pretende estudar a Sexualidade. Uma alternativa é realizar um questionário a uma amostra da população, como fez recentemente o Expresso: Afirma que 16% dizem que a crise "afetou negativamente" a sua vida sexual, particularmente entre a "classe baixa" e "média-baixa", entre outras conclusões onde a quantificação positivista transmite a sensação de exactidão.
Transpõe-se abaixo um quadro de outro estudo quantitativo que te permite reflectir sobre o modo como os pais encaram o beijo na boca pelos filhos em diferentes circunstâncias: rapaz (M)/ rapariga (F); namorando ou não; em função no habitat, da posição religiosa e da idade do filho.
Os números apresentam estruturas sobre as quais poderemos reflectir, utilizando a nossa experiência de vida (compreensão), mas são imagens estáticas. A sociologia compreensiva introduz o agente em acção convidando a perceber a dinâmica dos fenómenos. Exemplo: Quem acompanhou o processo de "domesticação" de que Gabriela foi vítima, poderá explicar/compreender o que sucedeu, desde que a vimos no primeiro beijo apaixonado (Capitulo 8, 14:00/16:00) até à primeira nega (Capitulo 58, 09:00/11:00)?
A sociologia compreensiva poderá parecer menos exacta, mas será certamente mais rica em detalhes e mais aberta à imaginação.
1. Tomando como referência os documentos acima, descreva num texto de 20 linhas com que objectivos os jovens utilizam a Internet, e como a utilizam.
2. Explicite como poderia desenvolver um estudo para conhecer melhor o perfil dos jovens cibernautas.
3. Fundamente três conclusões sobre o beijo com base no Quadro de José Machado Pais.
4. Em que medida as cenas de filmes/novelas poderão constituir material interessante do ponto de vista da sociologia compreensiva?
O conceito de fenómeno social total foi definido pelo antropólogo francês Marcel Mauss:
Nestes fenómenos sociais totais, como propomos chamar-lhes, exprimem-se ao mesmo tempo, e de uma só vez, todas as espécies de instituições: religiosas, jurídicas e morais – e estas políticas e morais ao mesmo tempo; económicas – e estas supõem formas particulares da produção e do consumo (Mauss, 2001: 52).
Quer dizer, os diferentes tabuleiros onde se desenrolam as dinâmicas sociais não afirmam qualquer carácter de incomunicabilidade entre áreas científicas. Pelo contrário, a construção de uma visão de conjunto sobre o real-social implica a partilha de perspectivas e de específicos ângulos de observação do mundo social. O esquecimento, deliberado ou involuntário, consciente ou inconsciente, dos pontos de contacto e das áreas de sobreposição entre diferentes ciências sociais – que, não esqueçamos, abordam uma única (e una) realidade social – fundamenta, dessa forma, o nosso propósito de chamar atenção para o facto de qualquer análise “completa” de um fenómeno humano requerer que se convoquem as múltiplas ciências sociais nas quais arrumámos os saberes académicos por uma questão de comodidade. A aprendizagem das ciências sociais faz-se por disciplinas, que correspondem a ciências (partes do conhecimento).
Logicamente, quando se estudam os fenómenos humanos, será necessário reunir as diversas ciências que contribuem para a sua compreensão. A esta associação de contributos chamamos interdisciplinaridade.
Para clarificar melhor os conceitos, apresentam-se dois exemplos de fenómenos sociais totais: o desemprego e a escola.
O desemprego é um fenómeno social total que interessa à generalidade das Ciências Sociais. Por exemplo, interessa á:
ECONOMIA – Conhecer a taxa de desemprego, porque se for demasiado elevado indica um grande desperdício de recursos, que já são escassos;
SOCIOLOGIA – Saber que categorias e agrupamentos sociais são mais afectados pelo desemprego? Mulheres e jovens?
HISTÓRIA – Estudar como terá evoluído o desemprego no século XVIII?
PSICOLOGIA – Acompanhar os comportamentos dos desempregados.
POLÍTICA – Que influência tem o ciclo eleitoral sobre a evolução do desemprego?
DEMOGRAFIA – Como varia o desemprego com a densidade populacional? (contraste meio urbano/rural)
DIREITO – O nível de desemprego depende da legislação laboral?
(…)
A escola é outro fenómeno social total. Interessa á:
ECONOMIA – Análise das despesas do Estado e dos particulares na educação. Cálculo da rentabilidade desse investimento.
SOCIOLOGIA – Que categorias sociais são mais afectadas pelo insucesso escolar?
HISTÓRIA – Como as mulheres deixaram de ser um grupo excluído do sistema educativo, tornando-se o grupo dominante?
PSICOLOGIA – Que muda no comportamento de um indivíduo escolarizado? Bullying?
POLÍTICA – É melhor o Estado gastar os nossos impostos a construir prisões para marginais quase analfabetos ou dar formação aos cidadãos para que estes consigam ser autónomos desenvolvendo uma qualquer habilidade.
DEMOGRAFIA – Qual a distribuição etária e por género dos alunos nas diferentes áreas de estudos e por regiões do país?
DIREITO – Estudo da regulamentação jurídica da educação.
O objecto da Sociologia confunde-se com o objecto do Programa da Disciplina apresentado no vídeo abaixo como conteúdo de um manual escolar.
Em Sociologia distinguem-se duas perspectivas: 1) o positivismo levado ao extremo por Durkheim quando tomando os factos sociais como coisas, julgou que as estruturas sociais eram tão poderosas que controlavam as acções dos indivíduos e podiam ser estudadas objectivamente, como nas ciências naturais; 2) a sociologia compreensiva ou interpretativa de Weber, que resulta do seu esforço para entender como as pessoas se comportavam e de que maneira o seu comportamento influenciava a sociedade e a estrutura social. Do seu ponto de vista só compreendendo as intenções, as ideias, os valores, as convicções que motivam as pessoas se pode, realmente, saber alguma coisa.
Todos os indivíduos bebem, dormem, comem, raciocinam, e a sociedade tem interesse em que essas funções se exerçam regularmente. Ora, se estes factos fossem sociais, a Sociologia não teria um objecto que lhe fosse próprio e o seu domínio confundir-se-ia com os da biologia e da psicologia (Durkheim).
Os factos sociais são o objecto de estudo da Sociologia, segundo Émile Durkheim. O autor indica que os factos sociais apresentam características muito especiais: “consistem em maneiras de agir, de pensar e sentir exteriores ao indivíduo, e dotadas de um poder coercitivo em virtude do qual se lhe impõem”. A coerção pode ser formal ou informal, consoante as sanções se encontrem ou não protegidas por regulamentos.
A pessoa que cumpre de bom grado e com satisfação as suas obrigações sociais não sente o peso da coerção sobre o seu comportamento. Uma pessoa que gosta da sua profissão, por exemplo, geralmente cumpre os seus deveres com prazer, sem a necessidade de imposições. Mas a coerção nunca deixa de existir. Está sempre à espreita.
Os factos sociais não são fixos. As maneiras como as sociedades resolvem os problemas evoluem, mais rapidamente ou mais lentamente. É sabido que observando sociedades que encontrem em diferentes espaços geográficos, depararemos com diferentes culturas, que resolverão os problemas de modo diverso, isto é, os factos sociais são relativos.
O objectivo de Durkheim consistia em estabelecer uma relação objectivável entre os factos, tratados como coisas, no intuito de descobrir regularidades sociais.
Para Max Weber a “Sociologia designará: uma ciência que pretende compreender, interpretando-a, a acção social, e deste modo, explicá-la casualmente no seu decurso e nos seus efeitos. Por “acção” deve entender-se um comportamento humano (quer consista num fazer externo ou interno, quer num omitir ou permitir), sempre que os agentes lhe associem um sentido subjectivo. Mas deve chamar-se acção “social” aquela em que o sentido intentado pelo agente ou pelos agentes está referido ao comportamento de outros e por ele se orienta no seu decurso”.
“A acção social (inclusive a omissão ou tolerância) pode orientar-se pelo comportamento passado, presente ou esperado como futuro dos outros (vingança por ataques prévios, defesa do ataque presente, regras de defesa contra ataques futuros). Os “outros” podem ser indivíduos e conhecidos ou indeterminadamente muitos e de todo desconhecidos (o “dinheiro”, por exemplo, significa que um bem de troca que o agente admite no tráfico porque orienta a sua acção pela expectativa de que muitos outros, mas desconhecidos e indeterminados, estarão também, por seu turno, dispostos a aceitá-lo numa troca futura)”.
O desenvolvimento do conceito de tipo ideal conduz Weber a obter as respostas do em termos de comportamentos médios (o consumidor tipo ideal será aquele que consome um cabaz de compras representativo da população, com os padrões de consumo “médios”). A característica principal do tipo ideal é não existir na realidade - como o consumidor médio -, mas servir de modelo para a análise de casos concretos, realmente existentes. No entanto, somente regularidades estatísticas que correspondem ao sentido intentado compreensível de uma acção social são tipos de acção susceptíveis de compreensão. Assim, concentrando-se na interpretação do sentido da acção social dos indivíduos, uma vez que o seu sentido intentado das acções determina os valores esperados em termos comportamentais, adquire agora interesse o estudo dos desvios observados, isto é, das singularidades.
1. Verifique que a atribuição de maior interesse às regularidades sociais ou às singularidades depende da perspectiva de análise.
2. Identifique o objecto de estudo da Sociologia.
3. Caracterize os factos sociais.
4. "Nem toda a classe de acção é acção social. O comportamento intimo só é acção social quando se orienta pelo comportamento dos outros. Também não o é, por exemplo, a conduta religiosa quando permanece contemplação, oração solitária, etc. A actividade económica (de um indivíduo) só o é na medida em que toma em consideração o comportamento de terceiros". Comente estes exemplos de Max Weber.
5. Que papel nos cabe a cada um na determinação do nosso próprio futuro? Responda à questão acima distinguindo a perspectiva durkheimiana da perspectiva weberiana.
6. Partindo do vídeo, indique alguns temas que serão objecto de estudo em Sociologia.
Referências
DURKHEIM, Émile, (2004), As Regras do Método Sociológico, Editorial Presença, Barcarena.