23/09/2011

Objecto da Sociologia

O objecto da Sociologia confunde-se com o objecto do Programa da Disciplina apresentado no vídeo abaixo como conteúdo de um manual escolar.

Em Sociologia distinguem-se duas perspectivas: 1) o positivismo levado ao extremo por Durkheim quando tomando os factos sociais como coisas, julgou que as estruturas sociais eram tão poderosas que controlavam as acções dos indivíduos e podiam ser estudadas objectivamente, como nas ciências naturais; 2) a sociologia compreensiva ou interpretativa de Weber, que resulta do seu esforço para entender como as pessoas se comportavam e de que maneira o seu comportamento influenciava a sociedade e a estrutura social. Do seu ponto de vista só compreendendo as intenções, as ideias, os valores, as convicções que motivam as pessoas se pode, realmente, saber alguma coisa.



Todos os indivíduos bebem, dormem, comem, raciocinam, e a sociedade tem interesse em que essas funções se exerçam regularmente. Ora, se estes factos fossem sociais, a Sociologia não teria um objecto que lhe fosse próprio e o seu domínio confundir-se-ia com os da biologia e da psicologia (Durkheim).

Os factos sociais são o objecto de estudo da Sociologia, segundo Émile Durkheim. O autor indica que os factos sociais apresentam características muito especiais: “consistem em maneiras de agir, de pensar e sentir exteriores ao indivíduo, e dotadas de um poder coercitivo em virtude do qual se lhe impõem”. A coerção pode ser formal ou informal, consoante as sanções se encontrem ou não protegidas por regulamentos.

A pessoa que cumpre de bom grado e com satisfação as suas obrigações sociais não sente o peso da coerção sobre o seu comportamento. Uma pessoa que gosta da sua profissão, por exemplo, geralmente cumpre os seus deveres com prazer, sem a necessidade de imposições. Mas a coerção nunca deixa de existir. Está sempre à espreita.

Os factos sociais não são fixos. As maneiras como as sociedades resolvem os problemas evoluem, mais rapidamente ou mais lentamente. É sabido que observando sociedades que encontrem em diferentes espaços geográficos, depararemos com diferentes culturas, que resolverão os problemas de modo diverso, isto é, os factos sociais são relativos.

O objectivo de Durkheim consistia em estabelecer uma relação objectivável entre os factos, tratados como coisas, no intuito de descobrir regularidades sociais.

Para Max Weber a “Sociologia designará: uma ciência que pretende compreender, interpretando-a, a acção social, e deste modo, explicá-la casualmente no seu decurso e nos seus efeitos. Por “acção” deve entender-se um comportamento humano (quer consista num fazer externo ou interno, quer num omitir ou permitir), sempre que os agentes lhe associem um sentido subjectivo. Mas deve chamar-se acção “social” aquela em que o sentido intentado pelo agente ou pelos agentes está referido ao comportamento de outros e por ele se orienta no seu decurso”.

“A acção social (inclusive a omissão ou tolerância) pode orientar-se pelo comportamento passado, presente ou esperado como futuro dos outros (vingança por ataques prévios, defesa do ataque presente, regras de defesa contra ataques futuros). Os “outros” podem ser indivíduos e conhecidos ou indeterminadamente muitos e de todo desconhecidos (o “dinheiro”, por exemplo, significa que um bem de troca que o agente admite no tráfico porque orienta a sua acção pela expectativa de que muitos outros, mas desconhecidos e indeterminados, estarão também, por seu turno, dispostos a aceitá-lo numa troca futura)”.

O desenvolvimento do conceito de tipo ideal conduz Weber a obter as respostas do em termos de comportamentos médios (o consumidor tipo ideal será aquele que consome um cabaz de compras representativo da população, com os padrões de consumo “médios”). A característica principal do tipo ideal é não existir na realidade - como o consumidor médio -, mas servir de modelo para a análise de casos concretos, realmente existentes. No entanto, somente regularidades estatísticas que correspondem ao sentido intentado compreensível de uma acção social são tipos de acção susceptíveis de compreensão. Assim, concentrando-se na interpretação do sentido da acção social dos indivíduos, uma vez que o seu sentido intentado das acções determina os valores esperados em termos comportamentais, adquire agora interesse o estudo dos desvios observados, isto é, das singularidades.

1. Verifique que a atribuição de maior interesse às regularidades sociais ou às singularidades depende da perspectiva de análise.

2. Identifique o objecto de estudo da Sociologia.

3. Caracterize os factos sociais.

4. "Nem toda a classe de acção é acção social. O comportamento intimo só é acção social quando se orienta pelo comportamento dos outros. Também não o é, por exemplo, a conduta religiosa quando permanece contemplação, oração solitária, etc. A actividade económica (de um indivíduo) só o é na medida em que toma em consideração o comportamento de terceiros".
Comente estes exemplos de Max Weber.

5. Que papel nos cabe a cada um na determinação do nosso próprio futuro?
Responda à questão acima distinguindo a perspectiva durkheimiana da perspectiva weberiana.

6. Partindo do vídeo, indique alguns temas que serão objecto de estudo em Sociologia.

  • Referências
DURKHEIM, Émile, (2004), As Regras do Método Sociológico, Editorial Presença, Barcarena.

WEBER, Max, (2000), Conceitos Sociológicos Fundamentais, Edições 70, Lisboa.

Génese da Sociologia

Neste post começamos pelo enquadramento da disciplina desde a Revolução Francesa. Seguidamente destaca-se a importância do progresso tecnológico sobre a evolução do pensamento científico e acrescenta-se uma nota breve sobre o desenvolvimento da Sociologia em Portugal.
  • Da "Dupla Revolução" a Max Weber
Desde o início que a sociologia aparecia marcada por um forte pendor racionalizante e explicativo. As intenções latentes das teorias sociológicas de fornecerem uma interpretação à crise das mundividências provocada pela Revolução Francesa e pela Revolução Industrial tinham tido como consequência a associação da nova ciência à transposição das explicações «fortes» da física para o campo das ciências sociais. Quer Comte, quer Marx, estavam preocupados pelo estatuto científico do seu saber e isso significava trazer para a sociologia a dominação epistemológica das ciências da natureza, com destaque para a física e a biologia, numa mesma procura de compreensão racionalizante que permitisse fornecer leis sobre o funcionamento da sociedade. Com Comte, a sociologia liga os seus destinos filosóficos ao positivismo e mesmo Marx (aqui pela voz de Engels), não sendo positivista, não se afasta grandemente de uma aproximação à realidade dominada pela ciência experimental, logo, por uma aceitação da legibilidade da natureza pela ciência. A importância do paradigma positivista advinha não só de ser o coração racional da própria teoria filosófica e sociológica positivista, mas também de se encontrar presente nas atitudes epistemológicas de todo o saber do século XIX e transcender assim a filosofia que lhe dava o nome. Por isso, os efeitos da sua crise são muito mais vastos e não afectam apenas aqueles que a si próprios se intitulavam positivistas. É certo que, de todas as tradições teóricas europeias com importância, a filosofia e a sociologia alemãs tinham herdado uma problemática de algum modo diversa. O peso de Kant e Hegel, da filosofia idealista como escola, deslocara as questões para a margem do positivismo e, embora a problemática deste estivesse presente, havia suficiente terreno teórico para que não tivesse o peso e o modo que tinha, por exemplo, na tradição francesa. A obra de Weber encontrava-se assim num dos momentos típicos de mutação do saber: é, ao mesmo tempo, uma síntese monumental de toda a problemática sociológica do século XIX e a verificação das suas dificuldades e impasses. Como acontecera com Kant e a gnoseologia - parte da Filosofia que trata dos fundamentos do conhecimento -, Weber deseja fundar a sociologia com bases teóricas sólidas e acaba por se lhe deparar a existência nesse corpo de saber de uma situação contraditória que impedia o fecho do sistema especulativo. É nesta dificuldade que se encontra a crise do paradigma positivista e é ao tratá-lo que Weber atinge as questões que são as dos programas científicos do século XX. Isto não significa que a obra de Weber ocupe na história da sociologia o mesmo papel que a mecânica quântica na da física, mas sim que ela defrontou problemas de ordem epistemológica que eram do mesmo tipo: a emergência em teorias fortemente explicativas e racionalizantes do problema da irredutibilidade da natureza ao saber, ou seja, a emergência da irrazão. Neste sentido, a obra de Weber é mais importante, não porque substitua interpretações causais ou deterministas por outras indeterministas, ou apenas porque criticou o positivismo, mas porque todo o seu esforço vai para dominar a irrupção do irracional e integrá-lo num discurso que permita o saber sem completamente o conseguir.
  • A evolução técnica e o desenvolvimento na sociologia do trabalho
No campo da sociologia, abundam os indícios de uma mudança na forma como se estuda a relação entre os dispositivos técnicos e os actores sociais Tudo indica que alguns autores da sociologia tendem a afastar-se tanto do determinismo tecnológico, como do construtivismo social posterior através da tese da autonomia do factor técnico. Veremos como se desenrolou este processo na sociologia do trabalho. As transformações teóricas na sociologia do trabalho estão ligadas às três fases das mudanças nas técnicas de produção: a automatização de Taylor dos anos 50 e 60 está na base das teses deterministas técnicas; a informática nos anos 70 começa a apontar para o papel do social; com a burótica e o peso dos computadores pessoais, nos 80 e 90, as teses tendem a ser mais complexas colocando em causa a dicotomia técnico-social. Até aos anos 50/60, predomina a tese neo-marxista que defende que são as condições técnicas que determinam, em grande parte, as condições sociais. Inspira-se numa leitura de Karl Marx que sublinha esta sua afirmação: “adquirindo novas forças produtivas, os homens mudam o seu modo de produção, e mudando o seu modo de produção, a maneira de ganhar a sua vida, eles mudam todas as suas relações sociais. O moinho baseado na força humana dará origem à sociedade com um soberano; o moinho a vapor, à sociedade com o capitalista industrial” (Marx, 1965: 79). No entanto, não se pode afirmar que Marx seja tão determinista pois, mais à frente, na página 99, diz: “o moinho baseado na força humana supõe uma visão do trabalho diferente da do industrial” (1965: 99). No campo da sociologia do trabalho e das organizações são conhecidos os trabalhos de Friedmann (1968) e de Pierre Naville em que se analisa as situações de trabalho num contexto do modelo Taylorista-Fordista. Para Friedmann, a evolução tecnológica provoca uma modificação negativa da organização do trabalho introduzindo a parcelarização e a perda de autonomia do operário. No caso de Naville, a lógica de um certo determinismo tecnológico não é tão clara defendendo a tese de se está perante um processo de desqualificação contraditório e complexo em que a questão técnica é apenas um factor entre vários (Assegond, 2004: 172). A partir dos anos 60, abandona-se um certo determinismo tecnológico presente em Friedmann passando a estudar-se a “questão das relações entre a modernização e a automatização e o tema da qualificação e das políticas salariais” (Assegond, 2004: 172). A partir dos anos 80, com o surgimento da informatização, as temáticas passam a centrar-se na relação entre as novas tecnologias e as transformações do trabalho a partir de dois eixos (Costa e Neves, 1995). O primeiro eixo, apoiando-se nas dificuldades vividas pelas empresas nos processos de mudança tecnológica com a adaptação às novas técnicas e a reconversão do pessoal, sublinha as transformações nas qualificações e nas competências em que saberes-fazer tradicionais desaparecem numa lógica de ruptura e resistência. Uma outra abordagem tende a considerar os aspectos de co-existência referindo a importância da cultura profissional (Aussegond, 2004: 173). Finalmente, com os anos 90, assiste-se em França a uma renovação na área da sociologia do trabalho devido à influência dos estudos sociais da tecnologia e sociedade. Na verdade, havia, até recentemente, um alheamento da sociologia do trabalho em relação aos debates presentes noutras áreas, tais como os estudos da “Ciência, Tecnologia e Sociedade”, acerca do carácter social da técnica. Muitos autores “apreendiam ainda a técnica a partir da perspectiva da mudança e dos seus efeitos mais ou menos destrutivos nos sectores de actividades estudados” (Assegond, 2004: 171). Com estas novas abordagens, inspiradas quer na sociologia do actor em rede de Latour e Callon à volta da sociologia dos usos da técnica (Akrich, 1989), quer na sociologia pragmática de Boltanski e Thévenot (1991) um novo olhar emerge pela interpretação do quotidiano através da construção de regimes de justificação adequados às observações empíricas.
  • A Sociologia em Portugal
Afirmar que a sociologia portuguesa só começou verdadeiramente após a revolução de Abril de 1974 é quase um lugar comum. Mas uma tal afirmação deve ser convenientemente temperada, se quisermos ser fiéis à especificidade dos movimentos de longa duração da história da cultura portuguesa, assim como à complexidade dos processos sócio-políticos que precederam e se desencadearam com a reinstauração da democracia em Portugal. Em boa verdade, pode dizer-se que, desde o último quartel do século XIX, o campo intelectual português foi registando ecos relativamente nítidos do movimento de eclosão das ciências sociais nos países centrais. (…) Em 1962, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, um discreto centro de estudos — o Gabinete de Investigações Sociais. Constituído inicialmente por um grupo de economistas com ligações ao movimento católico, o GIS alargar-se-á progressivamente a outras formações e, sob a direcção efectiva de Adérito Sedas Nunes, irá dar início à publicação da revista Análise Social, que depressa se tornou uma importante referência no campo intelectual português. Não admira que as primeiras reflexões de fôlego sobre a sociedade portuguesa, e nomeadamente as que se interrogam sobre as especificidades do nosso subdesenvolvimento, tragam marcas de algum envolvimento doutrinário dos seus autores. Na ausência de uma produção sociológica sistemática e contrastável em quadros institucionais especializados, era inevitável que certos princípios de orientação político-doutrinária se sobrepusessem, então, a objectivos analíticos característicos de campos científicos mais estruturados. Mesmo assim, datam de finais dos anos 60 alguns estudos de grande envergadura sobre a sociedade portuguesa, sendo de realçar, pela solidez da fundamentação teórica e metodológica utilizada, o conjunto de pesquisas realizadas no GIS sobre a estrutura social e sobre o sistema de ensino universitário no nosso país. A Sociologia constitui um domínio do saber que foi objecto de integração no currículo do ensino secundário em Portugal há relativamente pouco tempo. Anteriormente a 1974, praticamente nem sequer havia cursos de Sociologia no ensino superior. De facto, a análise da realidade social portuguesa só poderia ser incómoda, constituindo mesmo uma ameaça, para o regime ditatorial da época. Por isso, só a partir de 1974 é que se iniciou o primeiro curso superior de Sociologia e em 1978 surgiu a disciplina de Sociologia (como opção) no ensino secundário. Hoje, a visibilidade social da Sociologia, enquanto ciência e profissão, é muito maior. Criaram-se vários cursos de licenciatura nesta área, surgiram trabalhos de investigação (amplamente publicitados), nomeadamente sobre a sociedade portuguesa, e a inserção profissional dos sociólogos é muito diversificada, trabalhando, por exemplo, como técnicos, consultores e quadros superiores de empresas, de Autarquias e da Administração Central. A Sociologia, “tendo nascido das transformações que separaram a ordem social do Ocidente assente na industrialização dos modos de vida característicos das sociedades anteriores”, continua a ter como principal centro de interesse o mundo que resultou dessas transformações”, ou seja, o mundo contemporâneo. Ora, a complexidade das sociedades actuais – industrializadas, multiculturais e em permanente mudança – exige dos seus membros uma constante adaptação às transformações que ocorrem a todos os níveis – económico, social e cultural e, por outro lado, que sejam capazes de tomar decisões de uma forma autónoma e criativa. Num tempo em que aprendemos a desconfiar de grandes utopias, mas em que, simultaneamente, vamos sentindo os movimentos presos por conluios corporativos e consensos pragmáticos, quase sempre urdidos e outorgados em silêncio, pressente-se que muitos dos espaços em que os sociólogos actuam — nas autarquias, junto de estabelecimentos de ensino e de formação profissional, em algumas empresas, em projectos de desenvolvimento comunitário, no combate contra a pobreza, na reintegração de toxicodependentes, na reabilitação de habitats degradados, etc. — podem ser o lugar certo para o germinar de pequenas, mas mobilizadoras, utopias.

1. Justifique porque na sua fase inicial a Sociologia terá transposto para o seio esquemas de raciocínio característicos das ciências experimentais, designadamente, da física e da biologia.

2. Verifique que o aprofundamento do conceito de acção social de Weber, representa um esforço de inteligibilidade dos fenómenos sociais, baseado na racionalidade das condutas humanas.

3. Justifique o parcial fracasso de Weber observando que os indivíduos tomam em determinadas situações decisões contraditórias com os critérios de racionalidade anteriormente admitidos.

4. Justifique a emergência da sociologia pragmática na explicação dos fenómenos sociais em sociedades complexas, abertas e plurais.

5. Relacione as preocupações da sociologia do trabalho com o desenvolvimento tecnológico.

6. Comente a situação de as aulas de Sociologia não serem leccionadas por sociólogos. Que explicações terá este facto?

  • Referências
José Pacheco Pereira - http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223553986O6jRE5kd1Bt30ZG8.pdf
José Pinheiro Neves - http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/6773
Fernando Madureira Pinto - http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65292004000300002&lng=pt&nrm=iso
Programa de Sociologia - http://www.dgidc.min-edu.pt/data/ensinosecundario/Programas/sociologia_12.pdf
NOTA 1: Os documentos foram consultados na data de publicação deste post.

NOTA 2: Recentemento foi publicado o Primeiro inquérito às práticas profissionais dos licenciados em Sociologia, interessante para conhecer o percurso formativo e profissional dos sociólogos.

14/09/2011

Sociologias especializadas

A aplicação dos modelos teóricos a objectos de estudo delimitados tem dado lugar progressivamente às Sociologias Especializadas, desenvolvendo áreas como a sociologia das religiões, do trabalho, da família, da educação, do desporto, da delinquência, do direito, da cultura, das migrações, rural, urbana e muito mais.

Qualquer trabalho de Sociologia deverá contribuir para o enriquecimento de uma Sociologias Especializada.

Para uma descrição das mesmas sugere-se este link.

13/09/2011

Teste Diagnóstico

A ilusão da facilidade é certamente o maior problema na aprendizagem da Sociologia.

"A Sociologia explica o que parece óbvio a pessoas que pensam que é simples, mas que não compreendem quão complicado é realmente". RICHARD OSBORNE

Certamente a tua experiência de vida em Sociedade te permite responder a algumas questões.

1. Explicita o teu entendimento dos seguintes conceitos:
a) Cultura;
b) Socialização;
c) Sociedade;
d) Subcultura;
e) Aculturação;
f) Estrutura social;
g) Acção social;
h) Valores;
i) Legitimidade;
j) Justificação;
k) Representações sociais;
l) Obstáculos epistemológicos;
m) Ciências Sociais;
n) Método científico;
o) Sociologia.

2. Refere de que modo a “cultura” condiciona a tua percepção do Mundo, da sociedade e das acções dos indivíduos.

3. Distingue o olhar do senso comum da interpretação sociológica dos fenómenos sociais.

4. Apresenta uma definição de Sociologia.

5. O que faz um sociólogo? A que regras deve obedecer o seu trabalho?


07/09/2011

Better Life - OCDE



Leia o post Your Better Life Index Tutorial e depois, utilizando a ferramenta interactiva da OCDE:

  1. Verifique que a ordenação dos países depende das ponderações atribuídas aos indicadores.

  2. Determine os pontos fracos e os pontos fortes de alguns países.
    Sugestão: Efectuar o contraste entre dois países desenvolvidos vs. dois países da periferia europeia.

  3. Constate a complexidade da realidade social.
  4. Justifique o Desenvolvimento, como fenómeno social total.

05/09/2011

A Unidade do Social



Para Georges GURVITCH, as diversas Ciências Sociais (e Humanas) representavam «o estudo dos esforços colectivos e individuais mediante os quais a sociedade e os homens que a compõem se criam ou produzem eles mesmos. (...) O que caracteriza todas as Ciências do Homem — acrescentava aquele sociólogo — é que a realidade por elas estudada é uma só: é a condição humana considerada sob uma certa luz e tornada objecto de um método específico». Não será muito convincente, decerto, a definição das Ciências Sociais como «o estudo dos esforços colectivos e individuais...»; e o designar de «condição humana» a «realidade» estudada por todas as Ciências do Homem tem seguramente de entender-se em relação com todo um contexto de discussões filosóficas e humanísticas, no qual a Sociologia europeia se encontrou fundamente empenhada, desde antes da I Guerra Mundial até aos começos da década 60. Das citadas asserções de GURVITCH, retenhamos porém unicamente a ideia, que é correcta, de uma unidade sob a diversidade (ou diferenciação) das disciplinas, unidade que exprime a da própria realidade, que «é uma só».

Já algures notámos que, desde Marcel MAUSS, essa unidade do objecto real das Ciências Sociais começou a ser reconhecida com base na noção de fenómeno social total. Deixaremos, uma vez mais, para outra ocasião o esclarecimento aprofundado deste conceito, e fixaremos apenas que ele foi acolhido em reacção contra uma ideia, que antes (mas não por alguns dos grandes precursores da Sociologia, como A. COMTE e K. MARX) era comummente aceite: a de que a cada uma das Ciências Sociais caberia investigar um distinto campo do real, isto é: um conjunto de fenómenos reais perfeitamente separados ou separáveis de quaisquer outros. A Economia ocupar-se-ia da realidade económica (ou dos fenómenos económicos), a Sociologia da realidade social (ou dos fenómenos sociológicos), a Demografia, da realidade demográfica (ou dos fenómenos demográficos) a Ciência Política, da realidade política (ou dos fenómenos políticos), etc. Diferentes códigos de leitura do real, ou objectos científicos.

Cada Ciência Social, como toda outra Ciência, constrói, produz activamente, o seu próprio objecto científico, e que é construindo-o, e reproduzindo-o metodicamente ao longo do tempo, que historicamente se configura, singulariza e destrinça das demais. De facto, todo o conhecimento científico é construído, inclusive o saber cada Ciência sobre e com que objecto científico opera, depois de, dentro de si mesma, o haver elaborado. Este objecto teórico tem características diferentes do objecto real.

À concepção dos objectos científicos separados opõe-se agora a de que, no domínio do humano e do social, não existem campos de realidade e fenómenos que dessa forma se distingam uns dos outros, como se fossem compartimentos estanques: o campo da realidade sobre o qual as Ciências Sociais se debruçam é, de facto, um só (o da realidade humana e social) e todos os fenómenos desse campo são fenómenos sociais totais, quer dizer: fenómenos que — seja na sua estrutura própria, seja nas suas relações e determinações — têm implicações simultaneamente em vários níveis e em diferentes dimensões do real-social, sendo portanto susceptíveis, pelo menos potencialmente, de interessar a várias, quando não a todas as Ciências Sociais.

A fim de melhor clarificar este ponto, podemos tomar um exemplo. Seja, pois, o das classes sociais. As classes sociais têm sido objecto de inúmeras investigações sociológicas, como elementos estruturais e estruturantes basilares, que efectivamente são, de certo tipo de sociedades. Interessam, por conseguinte, à Sociologia.

Mas só à Sociologia? Na verdade interessam — ou deveriam interessar — a todas as Ciências Sociais. À Economia, por duas razões. De um lado, a estrutura das actividades e das relações económicas representa, numa dada sociedade, a matriz básica na qual as «situações de classe» se definem e a partir da qual as classes sociais se podem propriamente constituir. Do outro, «mecanismos económicos» tão relevantes como a formação de capital, o esquema da sua utilização, o ritmo de crescimento (e a composição) do produto nacional, a repartição dos rendimentos, o perfil da procura global, resultam de todo um jogo de acções individuais e colectivas, onde cada um dos agentes (indivíduos ou grupos) actua a partir de determinadas posições que, por sua vez, se inserem no (e dependem do) quadro geral das posições, relações e práticas sociais das diferentes classes.

Mas as classes sociais, quando se acham efectivamente constituídas, são forças sociais portadoras de interesses distintos e, quanto a algumas delas, de interesses antagónicos. Poderá, pois, entender-se, explicar-se, a estrutura e a vida política de qualquer sociedade onde forças dessa natureza actuem, se precisamente se abstrair da sua acção, dos seus interesses, dos seus projectos, da sua influência? É evidente que não, e portanto, ao menos por este motivo (mas há outros), as classes sociais também interessam à Ciência Politica.

Interessam igualmente à Demografia, uma vez que as determinantes sociais (natalidade, mortalidade, dimensão média das famílias, idade média em que os indivíduos se casam, etc.) de que dependem a composição e a evolução quantitativas das populações, acusam sensíveis diferenças de classe para classe social.

O que se diz da Demografia, pode dizer-se da Geografia Humana, pois que as classes sociais não se distribuem uniformemente por todo o território ocupado por uma sociedade. A estrutura das classes não é a mesma nas grandes metrópoles, nas pequenas cidades e nas zonas rurais — e varia sensivelmente com as características geo-ecológicas destas últimas, ao mesmo tempo que as influencia de modo muito significativo. Em suma: é perfeitamente possível elaborar uma geografia das classes sociais.

Quanto à Psicologia Social, sabe-se por exemplo que as atitudes, as opiniões, os preconceitos colectivos (sobre temas políticos, sociais, religiosos, morais, raciais, de educação, etc.) que nos indivíduos se manifestam, são em larga medida determinados pela classe social a que pertencem (ou a que aspiram pertencer). Logo, uma Psicologia Social cientificamente válida não pode abstrair da existência de classes sociais.

De resto, nem mesmo a Psicologia individual as pode ignorar. O desenvolvimento psíquico (intelectual e afectivo) do indivíduo e as suas sucessivas reestruturações psicológicas desde a primeira infância não decorrem de uma dinâmica puramente interna, mas de uma permanente interacção com o meio físico, social e cultural. Sendo assim» as diferenças de meio que se encontram associadas a diferenças de classe social intervêm naqueles processos e têm inegáveis efeitos, não somente sobre os níveis e formas de desenvolvimento atingidos pelos indivíduos nas diferentes idades porque vão passando, mas também sobre a estruturação definitiva da sua personalidade e dos seus mecanismos psicológicos (de tal modo que certos psicólogos, como Jean-Claude FILLOUX, admitem a necessidade de se utilizar, em Psicologia, o conceito de «personalidade de classe»).

No que se refere, finalmente, à Linguística, é de supor que não será necessário insistir em que é precisamente ao nível da linguagem que se podem aperceber algumas das mais visíveis expressões das diferenças entre as classes sociais.

Nas Ciências Sociais é necessário um intercâmbio entre os saberes entre as diferentes disciplinas – designado interdisciplinaridade - resultante da complementaridade do conhecimento, para melhor explicar os fenómenos sociais na sua totalidade.

Texto extraído e adaptado de SEDAS NUNES, Questões preliminares sobre as Ciências Sociais Backup

  1. Relacione o conceito de Fenómeno Social Total com a unidade do social.

  2. Distinga objecto real de objecto científico.

  3. Como se justifica a criação de diversas Ciências Sociais se o seu objecto real é o mesmo.

  4. Recorrendo ao exemplo do desemprego, mostre que da separação dos saberes em diversas disciplinas, decorre necessariamente a interdisciplinaridade como atitude metodológica.


26/08/2011

Representações sociais

Dizem-se representações sociais o saber “comum”, “espontâneo” ou “ingénuo” por oposição ao saber produzido metodicamente, pela ciência. Têm interesse em Sociologia para se compreender a lógica ou maneira como os indivíduos pensam, em função dos contextos em que se encontram.



Frequentemente os estudantes se perguntam:
Porque sou burro em Matemática?

Segue-se uma "explicação" que desdramatiza o insucesso escolar: "90% dos estudantes que tiram negativa, atiram o barro à parede".



Cada vez que conversamos, contamos anedotas, interagimos, utilizamos representações sociais. Não há tempo, nem paciência, nem necessidade, nem conhecimento para o debate científico, exceptuando alguns casos muito raros.

  • Diferença entre o Paraíso e o Inferno
    O Paraíso é aquele lugar onde o humor é britânico, os cozinheiros são franceses, os mecânicos são alemães, os amantes são portugueses e tudo é organizado pelos suíços.
    O Inferno é aquele lugar onde o humor é alemão, os cozinheiros são britânicos, os mecânicos são franceses, os amantes são suíços e tudo é organizado pelos portugueses...

A realidade acessível aos agentes resulta tanto da própria realidade quanto das representações sociais que têm da mesma. Estas podem ser definidas como modalidades de conhecimento prático, socialmente elaboradas e partilhadas. Constituem, simultaneamente, sistemas de interpretação e categorização do real e modelos ou guias de acção pelos quais os agentes se conduzem, dotando as suas acções de um sentido intentado.

Moscovici definiu representação social como:
  • Um sistema de valores, ideias e práticas que desempenham uma dupla função: primeiro, estabelecer uma ordem que irá permitir aos indivíduos orientarem-se eles próprios no seu mundo material e social e governá-lo; e em segundo proporcionar que a comunicação exista entre os membros de uma comunidade fornecendo-lhes um código para permuta social e um código para nomear e classificar claramente os vários aspectos do seu mundo e a sua história individual e do grupo.
Por exemplo, no quotidiano escolar, é comum todos os agentes se entenderem em torno da lei de ouro do trabalho escolar: só uma alteração de atitudes, métodos de trabalho, etc., garantiriam melhores resultados. Daqui decorrem as representações do Bom Aluno, bem como o "Método do Bom Aluno", entre outras lógicas.

Este conceito não é novo para nós. Falámos já de representações sociais a propósito dos estereótipos, dando particular destaque ao insucesso escolar a Matemática referimos as representações que os jovens têm dos media digitais ilustrámos um post com um vídeo sobre a representação do nativo digital outro com a representação social da educação aberta...

Por exemplo, são as representações sociais que nos permitem entender as mulheres ;)

Uma vez que as representações sociais constituem a matéria-prima do sociólogo, convém recordar este conceito e observar mais alguns exemplos. Realmente já temos este conceito desenvolvido no Arquivo, com abundantes exemplos, pelo que fica somente aqui o convite para o visitar, começando por ler este PowerPoint.

Ler mais?